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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ordenação de Mulheres



Por que as mulheres não podem ser ordenadas?


Cristo e os apóstolos chamaram somente homens para o sacerdócio:
(1) Cristo quebrou tantos tabus em relação às mulheres: aceitou dinheiro delas, confiou a uma delas o anúncio da ressurreição, conversava publicamente com elas - o que era um escândalo para a época. Mas, não chamou nenhuma delas para o grupo dos Doze. Não era por machismo nem por medo da mentalidade da época, já que em outras coisas ele rompeu com os preconceitos. Devia haver outro motivo...
(2) Os apóstolos tiveram o mesmo comportamento. Mais ainda: no mundo grego, onde eles anunciaram o Evangelho, havia sacerdotisas... Teria sido fácil aceitar mulheres cristãs no ministério ordenado... No entanto, somente aos homens os apóstolos conferiram esse ministério. Seguiram o comportamento de Jesus...
(3) Ao longo de toda a sua história, a Igreja jamais ordenou mulheres e sempre considerou que o Senhor não as chamou para o ministério ordenado. Na Idade Média houve abadessas poderosíssimas, como a de Las Huelgas, por exemplo; houve mulheres de prestígio enorme, como Santa Catarina de Sena, que repreendeu o próprio Papa, mas nenhuma delas foi ordenada.
(4) Recentemente, o Papa João Paulo II, num documento oficial aos Bispos, a Carta Ordinatio Sacerdotalis, de 1992, confirmou como sendo doutrina de fé que a Igreja NÃO PODE, NÃO TEM AUTORIDADE, para ordenar mulheres! E o Papa explicou que tal ensinamento é DEFINITIVO, isto é jamais poderá ser modificado por nenhum papa futuro! Isto é, o Papa ensinou que a Igreja, ao não ordenar mulheres, não estava simplesmente seguindo um costume cultural, mas algo determinado pelo próprio Senhor. Isto significa que essa questão não é somente de disciplina, mas de doutrina católica. Um católico que seja fiel ao magistério da Igreja não deve mais colocar em questão a não ordenação de mulheres.


Mas, por que Cristo não ordenou mulheres?
Esta é uma questão que a teologia deve ainda aprofundar melhor. Contudo, uma primeira reposta é a seguinte: o Novo Testamento apresenta Cristo como Esposo da Igreja. Ele a desposou para sempre na cruz. Cristo é o Esposo e Cabeça da Igreja, que é seu Corpo e sua Esposa. Ora, o ministro ordenado, pelo sacramento da Ordem, é imagem e representação do Cristo Cabeça e Esposo da Igreja. Somente alguém do sexo masculino está apto para tal representação, pois, se o Filho eterno não tem sexo, enquanto Deus, enquanto ser humano concreto assumiu o sexo masculino. A ordenação das mulheres quebraria toda esta simbologia da Aliança, tão presente e importante na Sagrada Escritura. A Igreja-comunidade é esposa que, reunida sob a presidência do Cristo-Esposo, tornado presente sacramentalmente pelo ministro ordenado, oferece a Deus o sacrifício de louvor, a Eucaristia.


É importante salientar que aqui não há desrespeito aos direitos das mulheres, por dois motivos: (1) diante de Deus não temos direito algum: tudo é GRAÇA; Deus chama quem ele quer! Seria absurdo reivindicar uma vocação! e (2) o sacerdócio não deve ser visto como uma honra, um poder, mas como um serviço. Reivindicar o ministério ordenado como direito é não compreender a dinâmica da graça, nem o ministério como serviço, nem a Igreja como comunidade diversificada, na qual nem todos fazem a mesma coisa!


As mulheres têm a missão de participar ativamente da vida da Igreja, inclusive das decisões... Poderiam até ser Cardeais (que não necessita do sacramento da Ordem - um leigo pode sê-lo...). Certamente as mulheres e os leigos em geral devem ser mais ouvidos na Igreja. Para isso, não precisam ser ordenadas!


Uma última observação: a Igreja não é uma democracia, na qual a maioria vence. Ela é comunhão no Espírito do Cristo ressuscitado. A Igreja é de Cristo: estar nela é aceitar o Senhor e seu poder soberano com humildade e fé. A Igreja não pode inventar-se e reinventar-se a si mesma!


Padre Henrique

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A importância do Papa



Um dos grandes pilares da Igreja católica, fator importante de sua admirável unidade, é o Papa. O sucessor de Pedro, Pastor desvelado, conduz a grei de Cristo, impedindo que as forças malignas triunfem, não obstante as mais graves e sérias crises através dos tempos.

Numa das encruzilhadas da História, João XXIII convocou oportunamente o Concílio Vaticano II e forneceu à Igreja uma bússola segura numa época de turbulências. Este Concílio foi um testemunho a mais da valia do Papa para que a Instituição estabelecida por Cristo não fosse tragada no torvelinho de erros que marcaram o final do século XX. Rejuvenescida a Igreja penetrou no novo milênio firme nas orientações de Paulo VI e no gloriosíssimo pontificado de João Paulo II.
Em nossos dias Bento XVI, cuja cultura vem deslumbrando o mundo, vai contornando todos os problemas, firme nos princípios eternos que sustentam a vida eclesial. (...)
Pois bem, entre as instruções do atual Papa estão várias sobre Pedro e seus sucessores. Lembra Bento XVI que após Jesus, Pedro é o mais conhecido citado 154 vezes no Novo Testamento. Salienta ainda aquele episódio quando Cristo foi cercado de uma grande multidão que estava na margem do Lago de Genezaré. Ele subiu à barca de Simão para dela poder doutrinar os ouvintes (Lc 5,1-3). Diz Bento XVI: "desse modo, a barca de Pedro converte-se na cátedra de Jesus".
Seguiu-se depois a pesca milagrosa, outro fato também muitíssimo significativo, tanto mais que Pedro ficara tão impressionado que pediu a Cristo: "Afasta-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador" (Lc5,8). A resposta de Jesus foi clara: "Não temas. Desde agora serás pescador de homens" (Lc 5,10). Iniciava-se a grande aventura do primeiro papa que, como primeiro papa, viria mais tarde a ser martirizado em Roma.
Recorda ainda Bento XVI o acontecimento de Cesaréia de Felipe, quando à indagação do Mestre sobre que diziam os homens ser ele e Pedro deu a bela resposta: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Cristo então lhe promete o primado: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18). Mais tarde, Jesus, após sua ressurreição, nas margens do Lago de Tiberíades confia a Pedro sua missão sublime, depois de lhe tomar um tríplice ato de amor: "Apascenta meus cordeiros ... apascenta minhas ovelhas" (Jo 21, 15-19). Trata-se da universalidade do rebanho, sem exceção alguma.

Pedro foi, de fato, constituído chefe supremo da Igreja e sua tarefa seria apascentar, ou seja, governar, Ele e seus sucessores seriam, realmente, "fundamento da Igreja de Cristo". Concluindo suas reflexões sobre o papel importantíssimo de Pedro, Bento XVI então suplica a todos os cristãos: "Rezemos para que o Primado de Pedro, confiado a pobres seres humanos, seja sempre exercido neste sentido original desejado pelo Senhor e para que o possam reconhecer cada vez mais em seu significado verdadeiro os irmãos que ainda não estão em comunhão conosco".
Eis aí, aliás, um dever elementar do batizado: rezar sempre pelo papa. Quando Pedro estava preso em Jerusalém a comunidade orou e veio um anjo e o libertou. (Atos 12,5 - 11), Além disto, na medida das possibilidades de cada um, generosa deve ser a contribuição para o Óbolo de São Pedro neste dia do Papa. Colaborar com o Óbolo de São Pedro é participar da caridade do Papa para com os mais pobres da terra. Foi desta ajuda, que Bento XVI fez uma valiosa doação, quando visitou a Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, onde se trabalha pela recuperação de drogados, salvando vidas. Tal oferta foi resultado das doações dos católicos.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho - Professor no Seminário de Mariana - MG
Fonte: CatólicaNet

terça-feira, 14 de maio de 2013

O culto das imagens




Quem melhor explicou o valor das imagens foi São João Damasceno no século VIII. Ele foi o campeão contra a heresia iconoclasta, defendendo ardorosamente, e com argumentos incontestáveis, as representações de Cristo, Maria, Anjos e Santos. 
 
Argumentava inclusive que o próprio homem foi criado à imagem de Deus e é por isso que se deve amar o próximo. Lembrava as sábias palavras de São Basílio, bispo de Cesaréia, que dizia: a veneração prestada à imagem transita para o protótipo, isto é, para aquele que é representado na imagem, e a partir do qual esta tira a sua forma. Ressaltava a importância sobretudo do Crucifixo: “Muitas vezes, sem dúvida, quando não temos a paixão do Senhor no espírito e vemos a imagem da crucificação de Cristo, lembramo-nos dessa mesma paixão e prostramo-nos em adoração, não ao material, mas àquilo de que ele é, imagem; da mesma maneira também não prestamos culto ao material do Evangelho nem ao da Cruz, mas ao que por eles é expresso”.

No que tange a Nossa Senhora, Anjos e Santos, presta-se o culto de veneração, por serem eles criaturas de Deus. No livro do Êxodo, como no do Deuteronômio (Ex 20,4; Dt 7,5) a proibição de imagens se refere à representação dos falsos deuses. Tanto isto é verdade que Deus mandou Moisés providenciar a imagem de uma serpente de bronze à qual o próprio Jesus se referiu como símbolo do Filho do Homem levantado na cruz (Jo 3,145 ss). A Moisés também mandou Deus fazer dois querubins para cobrirem o propiciatório (Ex 25,18 ss) e Salomão ordenou que se fizessem querubins e outras figuras, como leões e bois, no templo de Jerusalém (1 Reis 7,29).

Há que se distinguir imagem e ídolo. Imagem não é o mesmo que ídolo. Chama-se ídolo a uma imagem falsa, um simulacro a que se atribui vida própria, conforme explica o profeta Habacuc (2, 18). Eis o que claramente mostra Habacuc, dizendo: "Ai daquele que diz ao pau: acorda, e à pedra muda: desperta" (Habc 2, 19). A Bíblia narra no livro de Josué: "Josué prostrou-se com o rosto em terra diante da arca do Senhor, e assim permaneceu até à tarde, imitando-o todos os anciãos de Israel" (Jos 7, 6).

É evidente que não foram então idólatras Josué e os anciãos de Israel. Em todo decurso da História as imagens tiveram seus inimigos fortuitos. A imagem é uma lembrança que se torna fonte de graças por tudo que ela recorda a respeito do Redentor e das virtudes dos seus seguidores e servos fiéis. Os artistas, desde o início do cristianismo, se inspiraram nos temas bíblicos e na existência dos epígonos de Jesus para retratarem as cenas que através dos séculos embevecem as almas nobres e piedosas. As imagens são um meio e não um fim em si. Aristóteles, sábio filósofo grego, já dizia: “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”. É que o homem em sua vida sensitiva muito depende das coisas que o cercam.

A visão de uma imagem desperta na alma pensamentos salutares, o anseio de imitar o santo de sua devoção, a se sacrificar por Jesus crucificado, pelo Coração amantíssimo de Cristo, pois “amor com amor se paga”. Entre os orientais, as imagens possuem também grande importância. A grade que fecha o santuário tornou-se uma *iconostase, ornada de imagens. Os concílios ecumênicos sempre censuram a exclusão sistemática de imagens, como contrária à tradição cristã. A linguagem figurada do artista, escultor ou pintor, é de suma valia para a evangelização. As imagens são veículos aptos da fé e do amor dos cristãos. As representações visuais são aptíssimo instrumento para exprimir as verdades reveladas.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Professor no Seminário de Mariana - MG 
 
Fonte: Entreredes http://www.entreredes.org.br/index.php?op=conteudo&wcodigo=13966

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Primeira Aparição de Nossa Senhora de Fátima



Dia 13 de Maio de 1917. 



Lúcia, Francisco e Jacinta estavam brincando num lugar chamado Cova da Iria. De repente, observaram dois clarões como de relâmpagos, e em seguida viram, sobre a copa de uma pequena árvore chamada azinheira, uma Senhora de beleza incomparável.
Era uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.
Sua face, indescritivelmente bela, não era nem alegre e nem triste, mas séria, com ar de suave censura. As mãos juntas, como a rezar, apoiadas no peito, e voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um Rosário. As vestes pareciam feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos com bordas douradas, que cobria a cabeça da Virgem Maria e lhe descia até os pés.
Lúcia jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão brilhante. Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranqüiliza as três crianças, dizendo:
Nossa Senhora: “Não tenhais medo. Eu não vos farei mal.”
E Lúcia pergunta:
Lúcia: “Donde é Vossemecê?”
Nossa Senhora: “Sou do Céu!”

Lúcia: “E que é que vossemecê me quer?
Nossa Senhora: “Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”
Lúcia: “E eu também vou para o Céu?”
Nossa Senhora: “Sim, vais.”
Lúcia: “E a Jacinta?”
Nossa Senhora: “Também”
Lúcia: “E o Francisco?”
Nossa Senhora: “Também. Mas tem que rezar muitos terços”.
Nossa Senhora: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser mandar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?”
Lúcia: “Sim, queremos”
Nossa Senhora: “Tereis muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto”.
Ao pronunciar estas últimas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma intensa luz.
Os pastorinhos sentiram um impulso que os fez cair de joelhos, e rezaram em silêncio a oração que o Anjo havia lhes ensinado:
As três crianças: “Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.”
Passados uns momentos, Nossa Senhora acrescentou:
Nossa Senhora: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”
Em seguida, cercada de luz, começou a elevar-se serenamente, até desaparecer.

Para conhecer os diálogos das outras aparições, acesse o portal Devotos de Fátima.
 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Indulgências - o que são elas e para que servem?



Em algumas ocasiões, Igreja oferece aos seus filhos a possibilidade de receber indulgência por seus pecados. Trata-se de uma doutrina que causou polêmica na história (deu início à revolta luterana) e é de difícil compreensão teológica. Muitas pessoas têm perguntado sobre o sentido das indulgências e algumas pediram-me que escrevesse sobre o tema. Por isso, decidi tratar do tema.


Um pouco de históriaAs raízes da prática da indulgências estão na Igreja primitiva, mas a prática mesma somente surgiu na França no século X e a doutrina sobre esta prática (a reflexão sobre o sentido da prática) deu-se somente a partir do século XII. É como na vida: primeiro as coisas acontecem, depois é que se reflete sobre o sentido do que aconteceu! Vou apresentar de modo muito resumido a história das indulgências e depois vou demorar-me mais explicando o sentido bíblico e teológico delas.


No início a disciplina penitencial da Igreja era muito rígida: uma pessoa que cometesse pecado grave após o Batismo, depois de confessar seu pecado não recebia logo a absolvição. Primeiro tinha que cumprir a penitência pelo seu pecado – penitência esta que era muito severa. Hoje o padre diz: “reze um salmo”, “faça um ato de caridade a uma pessoa”, “reze um pai-nosso”... Antigamente não era assim. A penitência poderia ser, por exemplo, um ano sem poder negociar, um ou dois anos sem poder assumir cargos públicos, para os casados, um ano sem ter relações sexuais, um longo tempo afastado de atividades comerciais, um ano de jejum, etc. Enquanto cumpria a penitência, o penitente não podia participar da Missa completa: saía após a Oração dos fiéis! Em geral era na Quinta-feira santa pela manhã que o Bispo reunia todos os penitentes que tinham terminado de cumprir a penitência e dava-lhes, finalmente, a absolvição dos pecados. Eles, então, poderiam participar da santa Missa da Vigília pascal e voltar a comungar! (É dessa reunião do Bispo com os penitentes na Quinta-feira pela manhã que surgiu a nossa Missa do Crisma).


No século X, os bispos franceses, pela primeira vez abreviaram ou suprimiram a penitência daqueles penitentes que livremente ajudassem nas obras públicas pelo bem da comunidade: construção ou manutenção de hospitais e leprosários, de santuários, etc. Assim, a Igreja, mediante estas obras que o penitente realizava com espírito de piedade e com espírito de reparação da ofensa a Deus, dispensava-o da penitência devida pelo seu pecado. Era um modo de mostrar benevolência e misericórdia para com o penitente que sofria com o demorado período penitencial que lhe era imposto. Daqui nasceram as indulgências: obras realizadas com espírito de piedade e arrependimento mediante as quais a Igreja suplicava a Deus o perdão para as penas que o pecado trazia para o pecador. Assim, a Igreja, corpo e esposa de Cristo, ministra da reconciliação, derramava sobre seus filhos as riquezas da graça e do perdão do Senhor Jesus morto e ressuscitado!


Infelizmente, houve excessos na baixa Idade Média: muitas vezes as indulgências foram usadas como meio fácil de arrecadar dinheiro: ao invés de obras de misericórdia, a obra pedida para obter-se as indulgências eram fartas esmolas em dinheiro ou terras. É clara a tentação de fazer das indulgências por um lado, um meio fácil de arrecadar dinheiro por parte das autoridades eclesiásticas e por outro lado, um meio fácil para o penitente achar-se livre das conseqüências do pecado sem um real esforço de conversão. Os abusos levavam a pensar que o céu poderia ser comprado. Um pouco como algumas seitas fazem hoje com o dízimo! Então, uma prática que em si mesma tem sentido evangélico, foi usada de modo abusivo... que provocou escândalos e ajudou a causar divisões na Igreja de Cristo. Hoje, graças a Deus, o sentido das indulgências foi retomado e aprofundado. É este sentido que vou apresentar a seguir.


Um pouco de teologia
Antes de tudo é bom deixar claro que as indulgências fazem parte da fé da Igreja. Um católico não pode negar sua validade. O Concílio de Trento ensinou que a doutrina das indulgências é útil e deve ser mantida! A questão é como compreender tal doutrina. Aqui entra o papel do teólogo!
Não encontramos diretamente uma palavra da Sagrada Escritura sobre as indulgências. No entanto, encontramos nela os elementos que fundamentam e justificam a doutrina sobre as mesmas. Vejamos! Para toda a Escritura é muito claro que o pecado deixa marcas em nós: ele nos afasta de Deus, de modo que voltar a ele é um processo mais ou menos longo, dependendo do caso. Mesmo quando a pessoa se arrepende e o pecado é perdoado, ficam conseqüências, seqüelas que não desaparecem de uma vez só. É aí que aparece a necessidade de uma sincera penitência, uma reeducação nos caminhos de Deus, uma clara e humilde aceitação do seu juízo. Vejamos alguns exemplos: “Congregados em nome de Nosso Senhor Jesus vós e meu espírito com autoridade de Nosso Senhor Jesus, entrego esse tal a Satanás para ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Cor 5,4s); “Alguns, que a rejeitaram, naufragaram na fé. É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás para aprenderem a não blasfemar” (1Tm 1,19s); “Por seus julgamentos o Senhor nos corrige para não sermos condenado com o mundo” (1Cor 11,32); “Eis que vou lançá-la na cama e em grande tribulação aqueles que com ela cometem adultério, a não ser que se arrependam de suas obras. Seus filhos, eu os farei morrer, e todas as igrejas conhecerão que sou eu quem sonda os rins e os corações. Retribuirei a cada um de vós segundo as obras” (Ap 2,22s). Portanto, o pecado deixa conseqüências em nós e nos outros que não são suprimidas pelo simples arrependimento: “Para o homem ele disse: ‘Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa’” (Gn 1,17ss); “O Senhor disse a Moisés e Aarão: ‘Visto que não acreditastes em mim, santificando-me aos olhos dos israelitas, não introduzireis este povo na terra que lhes vou dar’. O Senhor disse a Moisés: ‘Sobe ao monte Abarim para ver a terra que darei aos israelitas. Depois de vê-la, também irás reunir-te a teu povo, como já aconteceu com teu irmão Aarão’”. (Nm 20,12; 27,13s); “Davi respondeu a Natã: ‘Pequei contra o Senhor’. Natã lhe replicou: ‘O Senhor, de sua parte, perdoou o teu pecado e não deverás morrer. Só que, por teres ultrajado o Senhor com o teu proceder, o filho que te nasceu morrerá’” (2Sm 12,13s).


O que a Escritura quer ensinar com estas passagens bíblicas que citei? Que Deus é carrasco, que gosta de castigar o pecador arrependido? Não! O sentido é outro, bem mais profundo: toda má ação nossa, todo pecado, nos prejudica, nos fecha para Deus e para os outros, nos desfigura e nos deixa mais fracos, dependentes: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8,34). Pensemos numa pessoa que fuma: fica mais dependente e prejudica os outros com suas baforadas... e mesmo que queira deixar de fumar, sente-se tanto mais fraca para deixar quanto mais arraigado for o seu vício. E aquele que fala mal da vida alheia: quanto mais fala, mais viciado fica. Pois bem, ao confessar sua falta, o pecador é perdoado, mas o vício ficou mais forte, mais entranhado e o prejuízo que causou aos outros, falando deles, não é eliminado e continua fazendo mal! Portanto o pecado que cometemos deixa cicatrizes em nós e nos outros! Então, como corrigir isso? Como livrar-se do vício? Como corrigir o prejuízo, as seqüelas que o vício deixa? Pela oração, a penitência, as obras de caridade e o combate espiritual! A Escritura muitas vezes fala disto e nos exorta a este combate, a este esforço disciplinado e constante para extirpar o mal em nós! Tudo isso vai nos abrindo para Deus e os irmãos, vai nos reeducando, vai nos redirecionando para o bem, vai nos amadurecendo e dando força contra o mal! É muito importante compreender isso: a conversão nunca é repentina; sempre é um processo: mesmo que eu creia no Cristo de repente, tenho, depois, pouco a pouco, que ir corrigindo meus vícios e más tendências! Quantas pessoas realmente convertidas dizem: “Ah, padre, as coisas que fiz no passado ainda hoje me tentam, vêm-me à memória e querem levar-me a pecar novamente!” Temos, portanto, que lutar contra os vícios (= as más tendências) que ficaram em nós porque se a gente não aprender a superar estas imperfeições agora, nesta vida, o Senhor nos purificará delas logo após a nossa morte – é o que chamamos comumente de purgatório! O fato é que nada de impuro pode permanecer diante do Cristo Ressuscitado, o Santo de Deus (cf. Ex 19,10; Is 6,5-7; Ap 21,27). Somos cristãos, queremos seguir o Cristo, caminhamos com ele... mas a poeira do caminho, a infidelidade que nos impediu de ser totalmente abertos para o Cristo, tem que ser deixada para trás... nesta vida ou na outra, quando, logo após a morte, encontrarmo-nos com o Senhor que nos acolhe com seu Espírito de amor. O próprio Lutero, mesmo depois de separar-se da Igreja, continuou afirmando o purgatório. Somente mais tarde é que o negou. Ele distinguia entre ser justificado (quer dizer, ser salvo no momento em que creio em Jesus) e ser santificado (que é um processo pelo qual a minha vida vai de verdade sendo transformada pela graça que vem da fé e pelo combate interior)! Sobre o purgatório, procure ler o que eu escrevi nos artigos sobre escatologia!


Agora, demos um passo mais adiante. A Igreja pode ajudar seus filhos neste processo de conversão constante, de purificação, que é toda a nossa vida: ela, corpo e esposa de Cristo, reza de modo especial, pela expiação (pela purificação) de seus membros, aplicando-lhes solenemente o mérito infinito de Cristo, que é seu tesouro e cabeça de todos os membros do corpo eclesial. A oração da Igreja pedindo que seus membros sejam libertados das conseqüências danosas que o pecado deixa (= estas marcas, estes vícios, que também são chamados pela tradição teológica de “penas”), é o que chamamos de indulgências. E a Igreja tem certeza de ser ouvida na sua oração, primeiro porque ela ora conforme a vontade de Cristo que nos quer dar o perdão e a salvação; segundo porque ora não como na oração privada, mas como oração de toda a Igreja, corpo de Cristo-Cabeça! Dito de outro modo: as indulgências são uma ajuda que a Igreja nos dá no nosso processo de conversão: pela oração eclesial a graça de Cristo atua para nos libertar dos apegos e dependências que o pecado provoca em nós impedindo-nos a uma total abertura para o Cristo. Esta oração, a Igreja faz não somente pelos vivos, mas também pelos defuntos! Aqui é necessário notar bem: não é a Igreja quem salva: é Cristo! A Igreja, como ministra da reconciliação, como aquela que tem por missão fazer presente no mundo a salvação que vem do Senhor Jesus, como aquela que tem em Cristo seu único tesouro, pede pelo mérito do Senhor Jesus e pela intercessão de todos aqueles que já estão unidos a Cristo, nosso único mediador, que conceda aos seus filhos a força para romperem com os vícios, isto é, com as marcas e dependências deixadas pelos pecados. Isto vale também para os mortos quando, logo após a morte, eles são purificados das seqüelas de seus pecados: o que não corrigimos na nossa peregrinação terrestre o Senhor corrigirá no momento mesmo do nosso encontro com ele – e aqui a oração da Igreja conforta imensamente o irmão no momento do encontro com o Senhor que o purificará. A salvação é pessoal, mas não é individualista, isolada: somos salvos como membros de um povo, o povo de Deus, corpo de Cristo. Para os mortos, as indulgências são este apoio, este conforto, esta oração que todo o corpo de Cristo faz pelo irmão no momento do encontro com o Senhor: nem aí estamos sozinhos, mas estamos no corpo de Cristo e com o corpo de Cristo, que é a Igreja! Não esqueça: você poderá compreender melhor a doutrina do purgatório e da oração pelos mortos lendo meu artigo sobre o assunto naqueles textos sobre Escatologia, que escrevi neste mesmo jornal.


Para deixar ainda mais claro este sentido das indulgências, vamos explicar aquela definição que tantas vezes está sendo apresentada neste Ano Santo: “indulgência é a remissão da pena temporal, devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja, que distribui e aplica a todos os fiéis, pela autoridade que Cristo lhe conferiu, o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos”.


Vamos destrinchar, parte por parte, esta definição:


(1) é a remissão da pena temporal: já expliquei que tudo quanto fazemos deixa marcas em nós, constrói para o bem ou para o mal a nossa personalidade, tornam-se em nós um hábito bom (= virtude) ou um hábito mau (= vício). Estas marcas terão que ser purificadas, nesta vida ou na outra; esta necessidade de purificação é o que se chama “pena temporal”. Note que é diferente da pena eterna (o inferno). As marcas que o pecado deixa em mim somente poderão ser corrigidas pelo exercício das boas obras, como a oração, a penitência a esmola... ou seja, por um exercício de correção interior. Pagar a pena quer dizer esforçar-se, exercitar-se para corrigir nossos vícios! A Igreja pode ajudar-nos a corrigir estas marcas da nossa personalidade, pode ajudar-nos a ser abertos a Cristo, pode dar-nos a remissão da pena temporal, quer dizer, ajudar-nos na libertação destes vícios que nos prendem!


(2) devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa: ao receber o perdão no sacramento da penitência, meu pecado é perdoado, minha culpa foi cancelada, mas suas conseqüências em mim permanecem: fiquei mais fraco, mais viciado naquele pecado... só posso corrigir-me pelo combate interior! A indulgência é a ajuda da Igreja neste combate!


(3) que o fiel bem disposto recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja pela autoridade que Cristo lhe conferiu: a Igreja recebeu de Cristo o ministério da reconciliação. Em nome de Cristo, de quem é corpo e esposa, ela pode, sob certas condições, rezar pelos seus filhos, pedindo ao Cristo que não quer a morte do pecador, que liberte o irmão das penas, das conseqüências oriundas de seus pecados. Se a oração do justo alcança o céu, imaginemos a oração de toda a Igreja, unida ao seu Senhor Jesus, de quem é corpo! Observe que para receber as indulgências é preciso estar “bem disposto”! Voltaremos a isto mais adiante.


(4) o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos: aqui é preciso atenção! A Igreja tem poder junto de Deus porque tem um grande tesouro: Cristo! Ele que por nós se encarnou, morreu, ressuscitou e enriqueceu-nos com seu Espírito... ele é o único e absoluto tesouro da Igreja: “Onde está o teu tesouro, aí estará teu coração!” O coração da Igreja está em Cristo! E a Igreja, confiando nele, intercede pelos seus filhos pecadores. Como entender, então, os méritos da Virgem Maria e dos Santos? Já escrevi sobre isso também aqui nO SEMEADOR ao explicar o culto aos Santos. Seus méritos não estão ao lado dos méritos de Cristo nem acrescentam nada aos méritos de Cristo. Seus méritos nada mais são que o fruto da graça e da ação do Cristo na vida deles. Eles foram grandes no serviço a Cristo? “Pela graça de Deus sou o que sou!” Estes irmãos que já estão com Cristo rezam por nós, rezam em Cristo, com quem estão na glória, rezam porque estão cheios da glória de Cristo, da vida de Cristo, dos méritos de Cristo! “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!”


Restam ainda dois pontos a serem explicados: (a) as obras a serem realizadas para que se receba a indulgência e (b) a distinção entre indulgência plenária e parcial.
Quanto ao primeiro ponto, a Igreja determina alguns gestos concretos que indiquem nossa disposição sincera em mudar de vida, em nos abrir para a graça de Deus. As “práticas” requeridas para as indulgências não podem ser tomadas como uma coisa automática, mecânica. Não! Têm que significar um desejo sincero de conversão de vida! Realizando essas práticas eu externo aos outros e exprimo a mim mesmo que desejo de coração, com a ajuda da oração da Igreja, deixar meus vícios e abrir-me generosamente para o Senhor. Para a indulgência deste Jubileu do Milênio a Igreja pede: (i) a confissão sacramental (não comunitária!), (ii) a comunhão eucarística, (iii) um momento de meditação e oração mental (com minhas próprias palavras) concluída por um Pai-nosso, (iv) a recitação do Credo e (v) uma invocação à Virgem. Atenção, atenção! Não são gestos mágicos, práticas automáticas! São apenas gestos, que exprimem uma atitude interior de conversão! Se não exprimirem isso, não valem nada! Não posso jamais afirmar: fiz estas práticas, recebi automaticamente a indulgência! É necessário estar “bem disposto”!


Quanto à questão das indulgências plenárias ou parciais. Primeiramente é bom esclarecer que não faz parte da doutrina infalível da Igreja distinguir entre indulgências plenárias ou parciais! Faz parte da fé normativa da Igreja afirmar a validade das indulgências; a distinção entre parcial e plenária não e obrigatória! Mas, em que se baseia tal distinção? Já deixei claro que nossa atitude interior é o que mais conta para receber a indulgência. Pois bem: se meu arrependimento é perfeito, se meu desejo de mudança de vida é radical, se meu propósito de lutar contra os vícios é decidido, a indulgência é dita plenária. Quer dizer: o Senhor libertar-me-á de todas as seqüelas de meus pecados. Mas, se minha abertura não é completa, então a indulgência é dita parcial: a graça age em mim à medida que eu me abro para ela. Se eu somente me abro parcialmente, ela somente age em mim parcialmente; se me abro totalmente, ela age em mim totalmente! Um modo simples de exprimir isso é o seguinte: quando me confesso para receber a indulgência, se minha contrição, meu arrependimento foi perfeito (quer dizer, um arrependimento total, profundo e sincero, que muda totalmente a minha vida), a indulgência será plenária; se, ao contrário, meu arrependimento foi sincero, mas não perfeito (aí se chama “atrição”), então a indulgência não será nunca plenária! Então, não saberemos nunca nesta vida se a indulgência em mim foi parcial ou plenária! Recordemo-nos que a contrição perfeita é uma grande graça de Deus, que toca e transfigura nossa coração! No Ano Santo a Igreja nos oferece a indulgência plenária; se eu for plenamente aberto, ela será realmente plenária; se eu for só parcialmente aberto, ela será parcial! O Papa Paulo VI afirmava de modo muito sábio: “As indulgências não são um modo fácil para evitar a necessária penitência pelos pecados, mas oferecem sobretudo um conforto, que os fiéis individualmente, conscientes de suas debilidades, encontram no corpo místico de Cristo, o qual coopera na conversão deles com a caridade, com o exemplo e com a oração!”


Como você pode perceber, a doutrina das indulgências não é muito simples. Releia todo o artigo com atenção para compreender bem! Uma coisa é certa: as indulgências são uma bela oportunidade que Cristo nos oferece através da Igreja! Não recebamos em vão a graça de Deus!”


Fonte: Site Padre Henrique


http://www.padrehenrique.com/doutrina_catolica.htm#

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vídeo 180

Amigos, recebi a indicação desse vídeo do blog do Julio Severo   e quero compartilhar com você. 
Gostaria de pedir sinceramente que assista a esse vídeo que trata do holocausto e também do aborto. Parece que uma coisa não tem nada a ver com a outra? é aí que você se engana.
Assista independente de sua opinião ou posição a respeito do holocausto, do aborto ou até do cristianismo. O vídeo é em inglês com legendas, do You Tube. Não é vírus. Tem 33 minutos e vale a pena ser assistido.

Espero mesmo que você o assista e passe para a frente. Muitos podem não ter tido a oportunidade de mudar de opinião. Faça sua parte pois um dia, Deus pode te cobrar disso. 

um abraço!

João Batista


O vídeo se tornou um grande fenômeno no YouTube depois de seu lançamento em setembro, alcançando a segunda colocação entre os vídeos mais debatidos e assistidos e a terceira colocação entre os filmes favoritos do mês passado, de acordo com dados postados na página de Facebook de Pro-Life Rocks. Mais de 1 milhão de pessoas já o assistiram. 

Para assistir ao filme: http://www.youtube.com/watch?v=7cBA9Be9fDs

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Querem retirar o "a.C." e o "d.C." das datas históricas na Austrália

Eis a constante busca do mundo sem Deus...
Segue notícia.
João Batista
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Reforma no novo programa escolar australiano propõe extinção do uso das siglas ‘‘a.C’’ e ‘‘d.C’’ das datas históricas

Andrey Karnoski



Talvez possa lembrar-se o leitor de um caso muito repercutido na Itália no ano passado, de uma finlandesa residente em Pádua que processou o Estado pedindo a eliminação dos crucifixos nas salas de aula da escola frequentada por seus filhos. Isto gerou uma polêmica, chegou-se a pensar até na proibição do símbolo cristão em todo o país, mas a finlandesa perdeu a causa e o parlamento italiano não aprovou a emenda.



No Brasil não quiseram fazer diferente, pois na primeira proposta de implantação do PNDH 3 um dos tópicos era exatamente extinguir os símbolos religiosos das repartições públicas.



Ou ainda podemos lembrar o caso de um governador mexicano que foi multado em nada menos do que dois mil dólares por ter apenas pronunciado a palavra ‘‘Deus’’ num momento de sua campanha eleitoral em 2010.



Novas modas existentes em alguns países anglo-saxões também seguem a mesma linha , como por exemplo, de se usar a expressão “holiday season” ou “festive season” (época de férias ou de festas) para se referir ao período natalino.



Agora a estes e outros casos, se soma um outro da mesma natureza ocorrido na Austrália. Como informa o jornal Daily Telegraph de Sydney (2/9/2011), o organismo responsável pelos programas escolares decidiu eliminar dos livros os tradicionais termos “BC” (Before Christ”, ou “Antes de Cristo”) e “AD” (do latim Anno Domini” ou “Do ano do Senhor”, ou seja, “Depois de Cristo”), substituindo-os por termos neutros.



A alteração, que deveria entrar em vigor já no próximo ano, foi adiada devido aos protestos, e serão usadas só as siglas “BCE” (“Before Common Era” ou “Antes da era comum”) e “CE” (“Common Era” ou “Era Comum”). Os novos termos não modificam o sistema de datação baseado no nascimento de Jesus Cristo como marco divisor da História, mas tiram toda referência explícita.



O próprio ministro da educação, Christopher Pyne, rejeitou a iniciativa, recordando que “a Austrália é o que é hoje” graças “aos fundamentos da nossa nação na herança judaico-cristã”. Segundo a opinião do político, que é deputado pelo Partido Liberal (LP) no Parlamento Federal de Camberra, “prostrar-se diante do politicamente correto” equivale a “negar o que somos como povo”.



Por sua vez, o ministro da educação do Estado de Nova Gales do Sul, Adrian Piccoli, declara não ver a necessidade da reforma. “Não é meu papel como ministro microgerir o plano de estudos, mas sou da opinião comum de que o cristianismo faz parte da nossa cultura e não vejo necessidade de mudar as datas” (The Daily Advertiser, 4/9/2011).



Afirmações como as dos dois ministros, de que o cristianismo faz parte da cultura do povo e da nação, e por isso não são razoáveis tais exclusões, são totalmente verdadeiras. Os parlamentares italianos que contrariaram a tal proposta da proibição dos crucifixos no seu país (referido no primeiro parágrafo deste artigo) também foram neste sentido, com justa razão e fundamento.



Algo que poucos sabem (ou os poucos que querem saber), é que a civilização ocidental foi construída pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Apesar de ser tão atacada e sabotada, é notória sua benéfica influência durante dois milênios. Sua doutrina e costumes sustentaram os homens mantendo-os longe de tantos erros que a inteligência humana naturalmente pode cometer ou mesmo a maldade pode devastar. Basta imaginar o resultado de tantos absurdos que os neo-pagãos (também rotulados de laicistas) querem para nossas pátrias: aborto, homossexualismo, eugenia, eutanásia, divórcio, prostituição legalizada, liberalização das drogas (por enquanto só a maconha), e tantos outros fatores que nos conduzirão certamente ao caos.



Mas ainda que estas coisas sejam tão insufladas e propostas como alguma irrefletida tentativa de ‘’solucionar’’ os ditos preconceitos, desigualdades, problemas sociais e etc, há muitos que percebem a catastrófica consequência de tudo isso ou, pelo menos, sua inegável ignominia.

Fonte: IPCO

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pio XII e o auxílio aos judeus: prova viva!!

A "prova viva" da existência da rede clandestina de Pio XII em auxílio dos judeus
Entrevista com um de seus membros, o padre Giancarlo Centioni


Por Jesús Colina


ROMA, quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Alguns setores da opinião pública têm pedido, em semanas recentes, provas da ajuda oferecida por Pio XII aos judeus durante a perseguição nazista. O sacerdote italiano Giancarlo Centioni, 97 anos, é uma das provas vivas, já que é o último membro vivo da rede clandestina criada pelo Papa Pacelli.

Entre 1940 a 1945, Centioni foi capelão militar em Roma na Milícia Voluntária pela Segurança Nacional, tendo vivido com sacerdotes alemães da Sociedade do Apostolado Católico. “Na condição de capelão fascista, era mais fácil para mim ajudar os judeus ", disse ele, explicando por que foi escolhido para participar da arriscada operação.

“Meus colegas sacerdotes palotinos provenientes de Hamburgo tinham fundado uma sociedade denominada "Verein Rafael '(Society of San Raffaele), criada para prestar auxílio aos judeus", revelou.

Um dos objetivos da rede era dar suporte à fuga de judeus da Alemanha, através da Itália, em direção à Suíça ou Portugal, motivo pelo qual a rede contava com membros nos quatro países.
Na Alemanha, lembra o padre Centioni, a sociedade era dirigida pelo padre Josef Kentenich, conhecido em todo o mundo como o fundador do Movimento Apostólico de Schönstatt.

Posteriormente, este sacerdote acabou sendo preso e mantido num campo de concentração até o final da guerra.

“Em Roma, o líder de todas estas atividades era o padre Anton Weber, o qual tinha contato direto com Pio XII e sua secretaria”, explicou.

Uma das principais atividades da rede consistia em obter passaportes para que as famílias judias pudessem deixar a Alemanha.

“Estes passaportes eram obtidos diretamente da Secretaria de Estado de Sua Santidade, pela intervenção direta do próprio Pio XII”, acrescentou.

“Comigo atuavam ao menos 12 sacerdotes alemães em Roma”, prosseguiu o padre, explicando que a rede recebia também uma ajuda decisiva da polícia, em particular do chefe adjunto de Mussolini, Romeo Ferrara, que lhe informava o local onde estavam escondidas as famílias judias para que pudessem levar os passaportes " – “mesmo à noite”.

Padre Centioni lembra uma dessas ocasiões, em que o policial o enviou durante a noite, advertindo-o para ir vestido com os trajes de Capelão para que “não fosse preso por soldados alemães”, a uma casa na qual estava escondida uma família judia de nome Bettoja.

O sacerdote diz lembrar “nitidamente” do medo e das dificuldades na operação, inclusive por parte das famílias que ajudava. “Bati à porta, mas não quiseram abrir. Disse então que não temessem, pois era um capelão e vinha para ajudar, para trazer os passaportes”; “juro, vocês podem ver através do olho-mágico da porta”, e então foi finalmente recebido pela senhora Bettoja com as crianças.

“Disse a ela: saiam amanhã antes das 7 em seu automóvel, porque às 7 poderão cruzar a fronteira pelo Lácio em direção a Gênova”. Fugiram e se salvaram. “Foi uma das tantas famílias”, disse.

As atividades da rede se iniciaram antes mesmo da invasão alemã na Itália, lembra o padre Centioni, e prolongou-se "até onde eu sei, até depois de 45, porque as relações do padre Weber com o Vaticano e os judeus eram muito vivas”.

"Entre aqueles que posteriormente colaboraram conosco, havia dois judeus que escondemos: um homem de letras, (Melchiorre) Gioia, e um grande músico e compositor de Viena, autor de canções e operetas, Erwin Frimm”.

“Todas pessoas de coragem”, disse. “Nos ajudaram muito com informações precisas” - reconheceu” – “mesmo colocando sua própria vida em risco”.

“Ajudei Ivan Basilius, um espião russo, que eu não sabia que era russo nem espião; era judeu. Foi preso pela SS e nas revistas, encontraram meu nome em suas anotações. Então, convocou-me a Santa Sé, sua excelência Hudal [alto e influente prelado alemão em Roma], dizendo: “venha para cá, pois a SS quer prendê-lo”. Perguntei: “Mas o que fiz?” - “Você ajudou um espião russo”. “Eu? Quem é?” - Então escapei.

Pe. Centioni, como capelão, conheceu pessoalmente o oficial alemão Herbert Kappler, comandante da Gestapo em Roma e autor do massacre das Fossas Ardeatinas, no qual 335 italianos foram assassinados, entre os quais muitos civis e judeus.

“Durante a invasão alemã, logo após a carnificina, perguntei a Kappler, a quem via com freqüência: por que não chamaram os capelães militares para as Fossas Andreatinas? E ele me respondeu: porque teria eliminado também eles”.

Pe. Centioni assegura que as centenas de pessoas que pôde ajudar tinham conhecimento de quem estava por trás de tudo. “Quem os ajudava era o Papa Pio XII, por meio de nós sacerdotes e da Raphael's Verein”, e através dos Verbitas, sociedade alemã em Roma. A entrevista foi concedida à Agência ZENIT e à Agência H2ONews (www.h2onews.org) e publicada nesta quinta-feira.

O caso do padre Centioni foi descoberto e investigado pela fundação Pave the Way (http://www.ptwf.org), criada pelo judeu nova-iorquino Gary Krupp.

Os relatos de Centioni são corroborados pela condecoração a ele concedida pelo governo polonês (“a cruz de ouro com duas espadas”, “pela nossa e pela vossa liberdade”).

O sacerdote citou outras expressões de gratidão por parte de algumas das pessoas que ajudou: os senhores Zoe e Andrea Maroni, os professores Melchiorre Gioia e Aroldo Di Tivoli, e as famílias Tagliacozzo e Ghiron, cujos filhos puderam se salvar, alcançando os EUA, com passaportes e recursos disponibilizados pelo Vaticano.

A entrevista pode ser assistida no site: www.h2onews.org.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Historiador judeu: Pio XII não foi o "Papa de Hitler"

Historiador judeu: Pio XII não foi o "Papa de Hitler"

ROMA, 08 Mar. 10 (ACI) .- O historiador judeu nascido em Praga, Saul Friedländer, assinala em uma recente entrevista no semanário Le Point que Pio XII não foi o Papa de Hitler. Deste modo recorda a aversão do Papa Pacelli pelo nazismo e sua decisiva colaboração na encíclica Mit brennender Sorge de Pio XI na qual se deplora esta ideologia.
Friedländer ensinou história contemporânea no Instituto universitário de altos estudos internacionais de Genebra. Trabalhou também nas universidades de Los Angeles (EUA) e Tel Aviv (Israel). É autor, entre outros livros de "Hitler e os Estados Unidos", "Pio XII e o Terceiro Reich" e "Reflexões sobre o futuro de Israel".
Em entrevista concedida ao semanário Le Point dada conhecer pelo L'Osservatore Romano, o historiador judeus se refere ao "silêncio de Pio XII afirmando que se a Igreja tivesse elevado sua voz, hoje sua 'grandeza' seria recordada". Hoje se sabe que a verdadeira grandeza deste Papa esteve no seu silêncio que permitiu que ele salvasse mais de 700.000 judeus de perecer sob o regime nazista.O LOR assinala que ante diversas acusações deste tipo, "Friedländer considera que não quer transformar, como outros têm feito, a Pio XII no 'Papa de Hitler'.
Recorda, ao contrário, a aversão do Papa Pacelli pelo nazismo e sua decisiva colaboração na redação da Mit brennender Sorge", a encíclica de Pio XII que condena a ideologia nazista.
Fonte: ACI Digital

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Imaculada Conceição




DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
Há pouco mais de 150 anos em Lourdes, na França, Nossa Senhora apareceu para a menina Bernadette. Era o ano de 1858. Em 1854 o Papa Pio XI tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Então, quatro anos depois, a própria Virgem Maria, em pessoa, quis confirmar este dogma. Foi quando em 25 de março de 1858, na festa da Anunciação, revelou seu Nome a Santa Bernadette nas aparições de Lourdes. Disse-lhe ela: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
A partir daí, o padre Peyramale, que era o Cura de Lourdes, passou a acreditar nas aparições de Maria à pobre Bernadette, e com ele toda a Igreja. “Na plenitude dos tempos”, diz o Apóstolo, “Deus enviou Seu Filho ao mundo nascido de uma mulher” (Gl 4,4). No ponto central da história da salvação se dá um acontecimento ímpar em que entra em cena a figura de uma Mulher.
O mesmo Apóstolo nos lembra: “Não foi Adão o seduzido, mas a mulher” (1Tm 2,14); portanto, devia ser também por meio da mulher que a salvação chegasse à terra. Para isso foi preciso que Deus preparasse uma nova Mulher, uma nova Virgem, uma nova Eva, que fosse isenta do pecado original, que pudesse trazer em seu seio virginal o autor da salvação.
A Mãe de Deus não poderia ter o pecado original. Como nenhum ser humano era livre do pecado e de Satanás, foi então preciso que Deus preparasse uma mulher livre, para que Seu Filho fosse também isento da culpa original, e pudesse libertar Seus irmãos. Assim, o Senhor antecipou para Maria, a escolhida entre todas, a graça da Redenção que seu Filho conquistaria com Sua Paixão e Morte.
A Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi o primeiro fruto que Jesus conquistou com Sua morte. E Maria foi concebida no seio de sua mãe, Santa Ana, sem o pecado original. Como disse o cardeal Suenens: “A santidade do Filho é causa da santificação antecipada da Mãe, como o sol ilumina o céu antes de ele mesmo aparecer no horizonte”.
O cardeal Bérulle explica assim: “Para tomar a terra digna de trazer e receber seu Deus, o Senhor fez nascer na terra uma pessoa rara e eminente que não tomou parte alguma no pecado do mundo e está dotada de todos os ornamentos e privilégios que o mundo jamais viu e jamais verá, nem na terra e nem no céu” (Con. Vidigal, Temas Marianos, p. 307).
O Anjo Gabriel lhe disse na Anunciação: “Ave, cheia de graça...” (Lc 1,28). Nesse “cheia de graça”, a Igreja entendeu todo o mistério e dogma da Conceição Imaculada de Maria. Se ela é “cheia de graça”, mesmo antes de Jesus ter vindo ao mundo, é porque é desde sempre toda pura, bela, sem mancha alguma; isto é, Imaculada.
Em 8 de dezembro de 1854 o Papa Pio IX declarava dogma de fé a doutrina que ensinava ter sido a Mãe de Deus concebida sem mancha por um especial privilégio divino. Na Bula “Ineffabilis Deus”, o Papa diz: “Nós declaramos, decretamos e definimos que a doutrina segundo a qual, por uma graça e um especial privilégio de Deus Todo Poderoso e em virtude dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada de toda a mancha do pecado original no primeiro instante de sua conceição, foi revelada por Deus e deve, por conseguinte, ser crida firmemente e constantemente por todos os fiéis”. É de notar que em 1476 a festa da Imaculada foi incluída no Calendário Romano.
Em 1570, o papa Pio V publicou o novo Ofício e, em 1708, o papa Clemente XI estendeu a festa a toda a Cristandade tornando-a obrigatória. Neste seio virginal, diz S. Luiz, Deus preparou o “paraíso do novo Adão” (Tratado da Verdadeira Devoção, n. 18). Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja e ardoroso defensor de Maria, falecido em 1787, disse: “Maria tinha de ser medianeira de paz entre Deus e os homens. Logo, absolutamente não podia aparecer como pecadora e inimiga de Deus, mas só como Sua amiga, toda imaculada” (Glórias de Maria, p. 209).
E ainda: “Maria devia ser mulher forte, posta no mundo para vencer a Lúcifer, e portanto devia permanecer sempre livre de toda mácula e de toda a sujeição ao inimigo” (idem, p. 209).
S. Bernardino de Sena (†1444), diz a Maria: “Antes de toda criatura fostes, ó Senhora, destinada na mente de Deus para Mãe do Homem Deus. Se não por outro motivo, ao menos pela honra de seu Filho, que é Deus, era necessário que o Pai Eterno a criasse pura de toda mancha” (GM, p. 210).
Diz o livro dos Provérbios: “A glória dos filhos são seus pais” (Pr 17,6); logo, é certo que Deus quis glorificar Seu Filho humanado também pelo nascimento de uma Mãe toda pura.
S. Tomas de Vilanova (†1555), chamado de São Bernardo espanhol, disse em sua teologia sobre Nossa Senhora: “Nenhuma graça foi concedida aos santos sem que Maria a possuísse desde o começo em sua plenitude” (GM, p. 211).
S. João Damasceno, doutor da Igreja (†749), afirma: “Há, porém, entre a Mãe de Deus e os servos de Deus uma infinita distância” (GM, p. 211).
E pergunta S. Anselmo, bispo e doutor da Igreja (†1109), e grande defensor da Imaculada Conceição: “Deus, que pôde conceder a Eva a graça de vir ao mundo imaculada, não teria podido concedê-la também a Maria?” “A Virgem, a quem Deus resolveu dar Seu Filho Único, tinha de brilhar numa pureza que ofuscasse a de todos os anjos e de todos os homens e fosse a maior imaginável abaixo de Deus” (GM, p. 212).
É importante notar que S. Afonso de Ligório afirma: “O espírito mal buscou, sem dúvida, infeccionar a alma puríssima da Virgem, como infeccionado já havia com seu veneno a todo o gênero humano. Mas louvado seja Deus! O Senhor a preveniu com tanta graça, que ficou livre de toda mancha do pecado. E dessa maneira pode a Senhora abater e confundir a soberba do inimigo” (GM , p. 210).
Nenhum de nós pode escolher sua Mãe; Jesus o pode. Então pergunta S. Afonso: “Qual seria aquele que, podendo ter por Mãe uma rainha, a quisesse uma escrava? Por conseguinte, deve-se ter por certo que a escolheu tal qual convinha a um Deus” (GM, p. 213).
Quando Deus eleva alguém a uma alta dignidade, também o torna apto para exercê-la, ensina S. Tomás de Aquino. Portanto tendo eleito Maria para Sua Mãe, por Sua graça a tornou digna de ser livre de todo o pecado, mesmo venial, ensinava S. Tomás; caso contrário, a ignomínia da Mãe passaria para o Filho (GM, p. 215).
Nesta mesma linha afirmava S. Agostinho de Hipona, Bispo e doutor da Igreja (†430), já no século V: “Nem se deve tocar na palavra “pecado” em se tratando de Maria; e isso por respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça” (GM, p. 215).
Pergunta S. Cirilo de Alexandria (370-444), bispo e doutor da Igreja: “Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?” (GM, p. 216).
S. Bernardino de Sena ensina que Jesus veio para salvar a todos, inclusive Maria. Contudo, há dois modos de remir: levantando o decaído ou preservando-o da queda. Este último modo Deus aplicou a Maria. Podendo o Espírito Santo criar Sua Esposa toda bela e pura, é claro que assim o fez. É dela que fala: “És toda formosa minha amiga, em ti não há mancha original” (Ct 4,7). Chama ainda Sua Esposa de “jardim fechado e fonte selada” (Ct 4,12), onde jamais os inimigos entraram para ofendê-la. “Ave, cheia de graça!” Aos outros santos a graça é dada em parte, contudo a Maria foi dada em sua plenitude.
Assim “a graça santificou não só a alma mas também a carne de Maria, a fim de que com ela revestisse depois o Verbo Eterno”, afirma S. Tomás (GM, p. 220).
Ó Maria concebida sem pecado; rogai por nós que recorremos a Vós!
Prof. Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quando a Igreja alemã excomungou o nazismo

Importante descoberta da “Pave the Way Foundation”Por Antonio Gaspari

NOVA YORK, quinta-feira, 1º de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Nada de "Papa de Hitler". Nada de colaboradores voluntários do nazismo. Alguns documentos encontrados na Alemanha pela Pave the Way Foundation (PTWF) provam que, desde setembro de 1930, os bispos católicos haviam excomungado o Partido Nazista de Hitler.

Nos documentos achados por Michael Hesemann, colaborador da PTWF, consta que, em setembro de 1930, três anos antes que Adolf Hitler subisse ao poder, a arquidiocese de Mogúncia condenou de forma pública o Partido Nazista.

Segundo as normas publicadas pelo Ordinário de Mogúncia, estava "proibido a qualquer católico inscrever-se nas filas do Partido Nacional-Socialista de Hitler".

"Aos membros do partido hitleriano não era permitido participar de funerais ou de outras celebrações católicas similares."

"Enquanto um católico estivesse inscrito no partido hitleriano, não podia ser admitido aos sacramentos."

A denúncia da arquidiocese de Mogúncia foi publicada em primeira página pelo L'Osservatore Romano, em um artigo de 11 de outubro de 1930.

O título do artigo é: "Partido de Hitler condenado pela autoridade eclesiástica". Nele se declarava a incompatibilidade da fé católica com o nacional-socialismo.

Nenhuma pessoa que se declarasse católica podia converter-se em membro do partido nazista, sob pena da exclusão dos sacramentos.

Em fevereiro de 1931, a diocese de Munique confirmou a incompatibilidade da fé católica com o Partido Nazista.

Em março de 1931, também a diocese de Colônia, Parderborn e as das províncias de Renânia denunciaram a ideologia nazista, proibindo de forma pública qualquer contato com os nazistas.

Indignados e furiosos pela excomunhão emitida pela Igreja Católica, os nazistas enviaram Hermann Göring a Roma com a petição de audiência com o secretário de Estado Eugenio Pacelli. No dia 30 de abril de 1931, o cardeal Pacelli rejeitou encontrar-se com Göring, que foi recebido pelo subsecretário, Dom Giuseppe Pizzardo, que tinha a tarefa de anotar tudo o que os nazistas pediam.

Em agosto de 1932, a Igreja Católica excomungou todos os dirigentes do Partido Nazista. Entre os princípios anticristãos denunciados como hereges, a Igreja mencionava explicitamente as teorias étnicas e o racismo.

Também em agosto de 1932, a Conferência Episcopal alemã publicou um documento detalhado no qual eram dadas instruções de como relacionar-se com o Partido Nazista. Nele, estava escrito que era absolutamente proibido aos católicos que fossem membros do Partido Nacional-Socialista. Quem desobedecesse, seria imediatamente excomungado.

Também estava escrito que "todos os Ordinários declararam ilícito pertencer ao Partido Nazista", porque "as manifestações de numerosos chefes e publicitários do partido têm um caráter hostil à fé" e "são contrárias às doutrinas fundamentais e às indicações da Igreja Católica".

Em janeiro de 1933, Adolf Hitler chegou ao poder e as associações católicas alemãs difundiram um folheto intitulado: "Um convite sério em um momento grave", no qual consideravam a vitória do Partido Nacional-Socialista como "um desastre" para o povo e para a nação.

No dia 10 de março de 1933, a Conferência Episcopal alemã, reunida em Fulda, enviou um apelo ao presidente da Alemanha, o general Paul L. von Beneckendorff und von Hindenburg, expressando "nossas preocupações mais graves, que são compartilhadas por amplos setores da população".

Os bispos alemães se dirigiram a von Hindenburg manifestando seu temor de que os nazistas não respeitassem "o santuário da Igreja e a posição da Igreja na vida pública". Por isso, pediram ao presidente uma "urgente proteção da Igreja e da vida eclesiástica".

Os bispos católicos haviam previsto isso, mas não foram escutados.

Os documentos encontrados pela PTWF são de notável importância porque põem um fim às repetidas calúnias que pretenderam manchar a Igreja Católica como diligente colaboradora do nazismo, quando na verdade foi a primeira em denunciar sua periculosidade.
Fonte: ZENIT.org