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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Pilares de nossa Fé



Um dia Dom Bosco teve um sonho: uma terrível batalha no mar, desencadeada por uma multidão de embarcações, pequenas e grandes, contra um único majestoso navio, símbolo da Igreja.


Esse navio, várias vezes atingido, mas sempre vitorioso, era guiado pelo Papa. Ancorou seguro entre duas colunas saídas do mar.


A primeira tinha em cima uma grande hóstia onde se liam as palavras "Salus credentium" (salvação dos crentes); na outra coluna, mais baixa, estava a estátua da Imaculada com as palavras "Auxilium Christianorum" (Auxílio dos cristãos).


Como católicos, louvemos a Deus pela graça dessas duas colunas que nos sustentam: a Eucaristia e Maria, e do Papa que guia a nossa fé!

terça-feira, 14 de maio de 2013

O culto das imagens




Quem melhor explicou o valor das imagens foi São João Damasceno no século VIII. Ele foi o campeão contra a heresia iconoclasta, defendendo ardorosamente, e com argumentos incontestáveis, as representações de Cristo, Maria, Anjos e Santos. 
 
Argumentava inclusive que o próprio homem foi criado à imagem de Deus e é por isso que se deve amar o próximo. Lembrava as sábias palavras de São Basílio, bispo de Cesaréia, que dizia: a veneração prestada à imagem transita para o protótipo, isto é, para aquele que é representado na imagem, e a partir do qual esta tira a sua forma. Ressaltava a importância sobretudo do Crucifixo: “Muitas vezes, sem dúvida, quando não temos a paixão do Senhor no espírito e vemos a imagem da crucificação de Cristo, lembramo-nos dessa mesma paixão e prostramo-nos em adoração, não ao material, mas àquilo de que ele é, imagem; da mesma maneira também não prestamos culto ao material do Evangelho nem ao da Cruz, mas ao que por eles é expresso”.

No que tange a Nossa Senhora, Anjos e Santos, presta-se o culto de veneração, por serem eles criaturas de Deus. No livro do Êxodo, como no do Deuteronômio (Ex 20,4; Dt 7,5) a proibição de imagens se refere à representação dos falsos deuses. Tanto isto é verdade que Deus mandou Moisés providenciar a imagem de uma serpente de bronze à qual o próprio Jesus se referiu como símbolo do Filho do Homem levantado na cruz (Jo 3,145 ss). A Moisés também mandou Deus fazer dois querubins para cobrirem o propiciatório (Ex 25,18 ss) e Salomão ordenou que se fizessem querubins e outras figuras, como leões e bois, no templo de Jerusalém (1 Reis 7,29).

Há que se distinguir imagem e ídolo. Imagem não é o mesmo que ídolo. Chama-se ídolo a uma imagem falsa, um simulacro a que se atribui vida própria, conforme explica o profeta Habacuc (2, 18). Eis o que claramente mostra Habacuc, dizendo: "Ai daquele que diz ao pau: acorda, e à pedra muda: desperta" (Habc 2, 19). A Bíblia narra no livro de Josué: "Josué prostrou-se com o rosto em terra diante da arca do Senhor, e assim permaneceu até à tarde, imitando-o todos os anciãos de Israel" (Jos 7, 6).

É evidente que não foram então idólatras Josué e os anciãos de Israel. Em todo decurso da História as imagens tiveram seus inimigos fortuitos. A imagem é uma lembrança que se torna fonte de graças por tudo que ela recorda a respeito do Redentor e das virtudes dos seus seguidores e servos fiéis. Os artistas, desde o início do cristianismo, se inspiraram nos temas bíblicos e na existência dos epígonos de Jesus para retratarem as cenas que através dos séculos embevecem as almas nobres e piedosas. As imagens são um meio e não um fim em si. Aristóteles, sábio filósofo grego, já dizia: “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”. É que o homem em sua vida sensitiva muito depende das coisas que o cercam.

A visão de uma imagem desperta na alma pensamentos salutares, o anseio de imitar o santo de sua devoção, a se sacrificar por Jesus crucificado, pelo Coração amantíssimo de Cristo, pois “amor com amor se paga”. Entre os orientais, as imagens possuem também grande importância. A grade que fecha o santuário tornou-se uma *iconostase, ornada de imagens. Os concílios ecumênicos sempre censuram a exclusão sistemática de imagens, como contrária à tradição cristã. A linguagem figurada do artista, escultor ou pintor, é de suma valia para a evangelização. As imagens são veículos aptos da fé e do amor dos cristãos. As representações visuais são aptíssimo instrumento para exprimir as verdades reveladas.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Professor no Seminário de Mariana - MG 
 
Fonte: Entreredes http://www.entreredes.org.br/index.php?op=conteudo&wcodigo=13966

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Indulgências - o que são elas e para que servem?



Em algumas ocasiões, Igreja oferece aos seus filhos a possibilidade de receber indulgência por seus pecados. Trata-se de uma doutrina que causou polêmica na história (deu início à revolta luterana) e é de difícil compreensão teológica. Muitas pessoas têm perguntado sobre o sentido das indulgências e algumas pediram-me que escrevesse sobre o tema. Por isso, decidi tratar do tema.


Um pouco de históriaAs raízes da prática da indulgências estão na Igreja primitiva, mas a prática mesma somente surgiu na França no século X e a doutrina sobre esta prática (a reflexão sobre o sentido da prática) deu-se somente a partir do século XII. É como na vida: primeiro as coisas acontecem, depois é que se reflete sobre o sentido do que aconteceu! Vou apresentar de modo muito resumido a história das indulgências e depois vou demorar-me mais explicando o sentido bíblico e teológico delas.


No início a disciplina penitencial da Igreja era muito rígida: uma pessoa que cometesse pecado grave após o Batismo, depois de confessar seu pecado não recebia logo a absolvição. Primeiro tinha que cumprir a penitência pelo seu pecado – penitência esta que era muito severa. Hoje o padre diz: “reze um salmo”, “faça um ato de caridade a uma pessoa”, “reze um pai-nosso”... Antigamente não era assim. A penitência poderia ser, por exemplo, um ano sem poder negociar, um ou dois anos sem poder assumir cargos públicos, para os casados, um ano sem ter relações sexuais, um longo tempo afastado de atividades comerciais, um ano de jejum, etc. Enquanto cumpria a penitência, o penitente não podia participar da Missa completa: saía após a Oração dos fiéis! Em geral era na Quinta-feira santa pela manhã que o Bispo reunia todos os penitentes que tinham terminado de cumprir a penitência e dava-lhes, finalmente, a absolvição dos pecados. Eles, então, poderiam participar da santa Missa da Vigília pascal e voltar a comungar! (É dessa reunião do Bispo com os penitentes na Quinta-feira pela manhã que surgiu a nossa Missa do Crisma).


No século X, os bispos franceses, pela primeira vez abreviaram ou suprimiram a penitência daqueles penitentes que livremente ajudassem nas obras públicas pelo bem da comunidade: construção ou manutenção de hospitais e leprosários, de santuários, etc. Assim, a Igreja, mediante estas obras que o penitente realizava com espírito de piedade e com espírito de reparação da ofensa a Deus, dispensava-o da penitência devida pelo seu pecado. Era um modo de mostrar benevolência e misericórdia para com o penitente que sofria com o demorado período penitencial que lhe era imposto. Daqui nasceram as indulgências: obras realizadas com espírito de piedade e arrependimento mediante as quais a Igreja suplicava a Deus o perdão para as penas que o pecado trazia para o pecador. Assim, a Igreja, corpo e esposa de Cristo, ministra da reconciliação, derramava sobre seus filhos as riquezas da graça e do perdão do Senhor Jesus morto e ressuscitado!


Infelizmente, houve excessos na baixa Idade Média: muitas vezes as indulgências foram usadas como meio fácil de arrecadar dinheiro: ao invés de obras de misericórdia, a obra pedida para obter-se as indulgências eram fartas esmolas em dinheiro ou terras. É clara a tentação de fazer das indulgências por um lado, um meio fácil de arrecadar dinheiro por parte das autoridades eclesiásticas e por outro lado, um meio fácil para o penitente achar-se livre das conseqüências do pecado sem um real esforço de conversão. Os abusos levavam a pensar que o céu poderia ser comprado. Um pouco como algumas seitas fazem hoje com o dízimo! Então, uma prática que em si mesma tem sentido evangélico, foi usada de modo abusivo... que provocou escândalos e ajudou a causar divisões na Igreja de Cristo. Hoje, graças a Deus, o sentido das indulgências foi retomado e aprofundado. É este sentido que vou apresentar a seguir.


Um pouco de teologia
Antes de tudo é bom deixar claro que as indulgências fazem parte da fé da Igreja. Um católico não pode negar sua validade. O Concílio de Trento ensinou que a doutrina das indulgências é útil e deve ser mantida! A questão é como compreender tal doutrina. Aqui entra o papel do teólogo!
Não encontramos diretamente uma palavra da Sagrada Escritura sobre as indulgências. No entanto, encontramos nela os elementos que fundamentam e justificam a doutrina sobre as mesmas. Vejamos! Para toda a Escritura é muito claro que o pecado deixa marcas em nós: ele nos afasta de Deus, de modo que voltar a ele é um processo mais ou menos longo, dependendo do caso. Mesmo quando a pessoa se arrepende e o pecado é perdoado, ficam conseqüências, seqüelas que não desaparecem de uma vez só. É aí que aparece a necessidade de uma sincera penitência, uma reeducação nos caminhos de Deus, uma clara e humilde aceitação do seu juízo. Vejamos alguns exemplos: “Congregados em nome de Nosso Senhor Jesus vós e meu espírito com autoridade de Nosso Senhor Jesus, entrego esse tal a Satanás para ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Cor 5,4s); “Alguns, que a rejeitaram, naufragaram na fé. É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás para aprenderem a não blasfemar” (1Tm 1,19s); “Por seus julgamentos o Senhor nos corrige para não sermos condenado com o mundo” (1Cor 11,32); “Eis que vou lançá-la na cama e em grande tribulação aqueles que com ela cometem adultério, a não ser que se arrependam de suas obras. Seus filhos, eu os farei morrer, e todas as igrejas conhecerão que sou eu quem sonda os rins e os corações. Retribuirei a cada um de vós segundo as obras” (Ap 2,22s). Portanto, o pecado deixa conseqüências em nós e nos outros que não são suprimidas pelo simples arrependimento: “Para o homem ele disse: ‘Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa’” (Gn 1,17ss); “O Senhor disse a Moisés e Aarão: ‘Visto que não acreditastes em mim, santificando-me aos olhos dos israelitas, não introduzireis este povo na terra que lhes vou dar’. O Senhor disse a Moisés: ‘Sobe ao monte Abarim para ver a terra que darei aos israelitas. Depois de vê-la, também irás reunir-te a teu povo, como já aconteceu com teu irmão Aarão’”. (Nm 20,12; 27,13s); “Davi respondeu a Natã: ‘Pequei contra o Senhor’. Natã lhe replicou: ‘O Senhor, de sua parte, perdoou o teu pecado e não deverás morrer. Só que, por teres ultrajado o Senhor com o teu proceder, o filho que te nasceu morrerá’” (2Sm 12,13s).


O que a Escritura quer ensinar com estas passagens bíblicas que citei? Que Deus é carrasco, que gosta de castigar o pecador arrependido? Não! O sentido é outro, bem mais profundo: toda má ação nossa, todo pecado, nos prejudica, nos fecha para Deus e para os outros, nos desfigura e nos deixa mais fracos, dependentes: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8,34). Pensemos numa pessoa que fuma: fica mais dependente e prejudica os outros com suas baforadas... e mesmo que queira deixar de fumar, sente-se tanto mais fraca para deixar quanto mais arraigado for o seu vício. E aquele que fala mal da vida alheia: quanto mais fala, mais viciado fica. Pois bem, ao confessar sua falta, o pecador é perdoado, mas o vício ficou mais forte, mais entranhado e o prejuízo que causou aos outros, falando deles, não é eliminado e continua fazendo mal! Portanto o pecado que cometemos deixa cicatrizes em nós e nos outros! Então, como corrigir isso? Como livrar-se do vício? Como corrigir o prejuízo, as seqüelas que o vício deixa? Pela oração, a penitência, as obras de caridade e o combate espiritual! A Escritura muitas vezes fala disto e nos exorta a este combate, a este esforço disciplinado e constante para extirpar o mal em nós! Tudo isso vai nos abrindo para Deus e os irmãos, vai nos reeducando, vai nos redirecionando para o bem, vai nos amadurecendo e dando força contra o mal! É muito importante compreender isso: a conversão nunca é repentina; sempre é um processo: mesmo que eu creia no Cristo de repente, tenho, depois, pouco a pouco, que ir corrigindo meus vícios e más tendências! Quantas pessoas realmente convertidas dizem: “Ah, padre, as coisas que fiz no passado ainda hoje me tentam, vêm-me à memória e querem levar-me a pecar novamente!” Temos, portanto, que lutar contra os vícios (= as más tendências) que ficaram em nós porque se a gente não aprender a superar estas imperfeições agora, nesta vida, o Senhor nos purificará delas logo após a nossa morte – é o que chamamos comumente de purgatório! O fato é que nada de impuro pode permanecer diante do Cristo Ressuscitado, o Santo de Deus (cf. Ex 19,10; Is 6,5-7; Ap 21,27). Somos cristãos, queremos seguir o Cristo, caminhamos com ele... mas a poeira do caminho, a infidelidade que nos impediu de ser totalmente abertos para o Cristo, tem que ser deixada para trás... nesta vida ou na outra, quando, logo após a morte, encontrarmo-nos com o Senhor que nos acolhe com seu Espírito de amor. O próprio Lutero, mesmo depois de separar-se da Igreja, continuou afirmando o purgatório. Somente mais tarde é que o negou. Ele distinguia entre ser justificado (quer dizer, ser salvo no momento em que creio em Jesus) e ser santificado (que é um processo pelo qual a minha vida vai de verdade sendo transformada pela graça que vem da fé e pelo combate interior)! Sobre o purgatório, procure ler o que eu escrevi nos artigos sobre escatologia!


Agora, demos um passo mais adiante. A Igreja pode ajudar seus filhos neste processo de conversão constante, de purificação, que é toda a nossa vida: ela, corpo e esposa de Cristo, reza de modo especial, pela expiação (pela purificação) de seus membros, aplicando-lhes solenemente o mérito infinito de Cristo, que é seu tesouro e cabeça de todos os membros do corpo eclesial. A oração da Igreja pedindo que seus membros sejam libertados das conseqüências danosas que o pecado deixa (= estas marcas, estes vícios, que também são chamados pela tradição teológica de “penas”), é o que chamamos de indulgências. E a Igreja tem certeza de ser ouvida na sua oração, primeiro porque ela ora conforme a vontade de Cristo que nos quer dar o perdão e a salvação; segundo porque ora não como na oração privada, mas como oração de toda a Igreja, corpo de Cristo-Cabeça! Dito de outro modo: as indulgências são uma ajuda que a Igreja nos dá no nosso processo de conversão: pela oração eclesial a graça de Cristo atua para nos libertar dos apegos e dependências que o pecado provoca em nós impedindo-nos a uma total abertura para o Cristo. Esta oração, a Igreja faz não somente pelos vivos, mas também pelos defuntos! Aqui é necessário notar bem: não é a Igreja quem salva: é Cristo! A Igreja, como ministra da reconciliação, como aquela que tem por missão fazer presente no mundo a salvação que vem do Senhor Jesus, como aquela que tem em Cristo seu único tesouro, pede pelo mérito do Senhor Jesus e pela intercessão de todos aqueles que já estão unidos a Cristo, nosso único mediador, que conceda aos seus filhos a força para romperem com os vícios, isto é, com as marcas e dependências deixadas pelos pecados. Isto vale também para os mortos quando, logo após a morte, eles são purificados das seqüelas de seus pecados: o que não corrigimos na nossa peregrinação terrestre o Senhor corrigirá no momento mesmo do nosso encontro com ele – e aqui a oração da Igreja conforta imensamente o irmão no momento do encontro com o Senhor que o purificará. A salvação é pessoal, mas não é individualista, isolada: somos salvos como membros de um povo, o povo de Deus, corpo de Cristo. Para os mortos, as indulgências são este apoio, este conforto, esta oração que todo o corpo de Cristo faz pelo irmão no momento do encontro com o Senhor: nem aí estamos sozinhos, mas estamos no corpo de Cristo e com o corpo de Cristo, que é a Igreja! Não esqueça: você poderá compreender melhor a doutrina do purgatório e da oração pelos mortos lendo meu artigo sobre o assunto naqueles textos sobre Escatologia, que escrevi neste mesmo jornal.


Para deixar ainda mais claro este sentido das indulgências, vamos explicar aquela definição que tantas vezes está sendo apresentada neste Ano Santo: “indulgência é a remissão da pena temporal, devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja, que distribui e aplica a todos os fiéis, pela autoridade que Cristo lhe conferiu, o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos”.


Vamos destrinchar, parte por parte, esta definição:


(1) é a remissão da pena temporal: já expliquei que tudo quanto fazemos deixa marcas em nós, constrói para o bem ou para o mal a nossa personalidade, tornam-se em nós um hábito bom (= virtude) ou um hábito mau (= vício). Estas marcas terão que ser purificadas, nesta vida ou na outra; esta necessidade de purificação é o que se chama “pena temporal”. Note que é diferente da pena eterna (o inferno). As marcas que o pecado deixa em mim somente poderão ser corrigidas pelo exercício das boas obras, como a oração, a penitência a esmola... ou seja, por um exercício de correção interior. Pagar a pena quer dizer esforçar-se, exercitar-se para corrigir nossos vícios! A Igreja pode ajudar-nos a corrigir estas marcas da nossa personalidade, pode ajudar-nos a ser abertos a Cristo, pode dar-nos a remissão da pena temporal, quer dizer, ajudar-nos na libertação destes vícios que nos prendem!


(2) devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa: ao receber o perdão no sacramento da penitência, meu pecado é perdoado, minha culpa foi cancelada, mas suas conseqüências em mim permanecem: fiquei mais fraco, mais viciado naquele pecado... só posso corrigir-me pelo combate interior! A indulgência é a ajuda da Igreja neste combate!


(3) que o fiel bem disposto recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja pela autoridade que Cristo lhe conferiu: a Igreja recebeu de Cristo o ministério da reconciliação. Em nome de Cristo, de quem é corpo e esposa, ela pode, sob certas condições, rezar pelos seus filhos, pedindo ao Cristo que não quer a morte do pecador, que liberte o irmão das penas, das conseqüências oriundas de seus pecados. Se a oração do justo alcança o céu, imaginemos a oração de toda a Igreja, unida ao seu Senhor Jesus, de quem é corpo! Observe que para receber as indulgências é preciso estar “bem disposto”! Voltaremos a isto mais adiante.


(4) o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos: aqui é preciso atenção! A Igreja tem poder junto de Deus porque tem um grande tesouro: Cristo! Ele que por nós se encarnou, morreu, ressuscitou e enriqueceu-nos com seu Espírito... ele é o único e absoluto tesouro da Igreja: “Onde está o teu tesouro, aí estará teu coração!” O coração da Igreja está em Cristo! E a Igreja, confiando nele, intercede pelos seus filhos pecadores. Como entender, então, os méritos da Virgem Maria e dos Santos? Já escrevi sobre isso também aqui nO SEMEADOR ao explicar o culto aos Santos. Seus méritos não estão ao lado dos méritos de Cristo nem acrescentam nada aos méritos de Cristo. Seus méritos nada mais são que o fruto da graça e da ação do Cristo na vida deles. Eles foram grandes no serviço a Cristo? “Pela graça de Deus sou o que sou!” Estes irmãos que já estão com Cristo rezam por nós, rezam em Cristo, com quem estão na glória, rezam porque estão cheios da glória de Cristo, da vida de Cristo, dos méritos de Cristo! “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!”


Restam ainda dois pontos a serem explicados: (a) as obras a serem realizadas para que se receba a indulgência e (b) a distinção entre indulgência plenária e parcial.
Quanto ao primeiro ponto, a Igreja determina alguns gestos concretos que indiquem nossa disposição sincera em mudar de vida, em nos abrir para a graça de Deus. As “práticas” requeridas para as indulgências não podem ser tomadas como uma coisa automática, mecânica. Não! Têm que significar um desejo sincero de conversão de vida! Realizando essas práticas eu externo aos outros e exprimo a mim mesmo que desejo de coração, com a ajuda da oração da Igreja, deixar meus vícios e abrir-me generosamente para o Senhor. Para a indulgência deste Jubileu do Milênio a Igreja pede: (i) a confissão sacramental (não comunitária!), (ii) a comunhão eucarística, (iii) um momento de meditação e oração mental (com minhas próprias palavras) concluída por um Pai-nosso, (iv) a recitação do Credo e (v) uma invocação à Virgem. Atenção, atenção! Não são gestos mágicos, práticas automáticas! São apenas gestos, que exprimem uma atitude interior de conversão! Se não exprimirem isso, não valem nada! Não posso jamais afirmar: fiz estas práticas, recebi automaticamente a indulgência! É necessário estar “bem disposto”!


Quanto à questão das indulgências plenárias ou parciais. Primeiramente é bom esclarecer que não faz parte da doutrina infalível da Igreja distinguir entre indulgências plenárias ou parciais! Faz parte da fé normativa da Igreja afirmar a validade das indulgências; a distinção entre parcial e plenária não e obrigatória! Mas, em que se baseia tal distinção? Já deixei claro que nossa atitude interior é o que mais conta para receber a indulgência. Pois bem: se meu arrependimento é perfeito, se meu desejo de mudança de vida é radical, se meu propósito de lutar contra os vícios é decidido, a indulgência é dita plenária. Quer dizer: o Senhor libertar-me-á de todas as seqüelas de meus pecados. Mas, se minha abertura não é completa, então a indulgência é dita parcial: a graça age em mim à medida que eu me abro para ela. Se eu somente me abro parcialmente, ela somente age em mim parcialmente; se me abro totalmente, ela age em mim totalmente! Um modo simples de exprimir isso é o seguinte: quando me confesso para receber a indulgência, se minha contrição, meu arrependimento foi perfeito (quer dizer, um arrependimento total, profundo e sincero, que muda totalmente a minha vida), a indulgência será plenária; se, ao contrário, meu arrependimento foi sincero, mas não perfeito (aí se chama “atrição”), então a indulgência não será nunca plenária! Então, não saberemos nunca nesta vida se a indulgência em mim foi parcial ou plenária! Recordemo-nos que a contrição perfeita é uma grande graça de Deus, que toca e transfigura nossa coração! No Ano Santo a Igreja nos oferece a indulgência plenária; se eu for plenamente aberto, ela será realmente plenária; se eu for só parcialmente aberto, ela será parcial! O Papa Paulo VI afirmava de modo muito sábio: “As indulgências não são um modo fácil para evitar a necessária penitência pelos pecados, mas oferecem sobretudo um conforto, que os fiéis individualmente, conscientes de suas debilidades, encontram no corpo místico de Cristo, o qual coopera na conversão deles com a caridade, com o exemplo e com a oração!”


Como você pode perceber, a doutrina das indulgências não é muito simples. Releia todo o artigo com atenção para compreender bem! Uma coisa é certa: as indulgências são uma bela oportunidade que Cristo nos oferece através da Igreja! Não recebamos em vão a graça de Deus!”


Fonte: Site Padre Henrique


http://www.padrehenrique.com/doutrina_catolica.htm#

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Imagens de santos na Parada Homossexual e os anjos em Sodoma e Gomorra


Em São Paulo, na última parada homossexual (26/6/2011), apoiada com volumoso financiamento público e gigantesco destaque midiático, o movimento homossexual mostrou ao Brasil e ao mundo sua intenção de atacar, explícita e diretamente, o catolicismo professado pela grande maioria dos brasileiros ao apresentar cartazes com imagens de santos de maneira ‘homoerótica’.



Vimos com espanto se repetir em nossos dias o que se passou em Sodoma e Gomorra, destruída por Deus em razão do pecado de homossexualismo. Quando dois anjos, em forma humana, estavam na casa de Lot – sobrinho de Abraão – lhe advertindo para que abandonasse a cidade antes de vir o castigo que a destruiria. Mas, “eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população. E chamaram Lot: ‘Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos’” (1).



Continua a narração: “Saiu Lot a ter com eles no limiar da casa, fechou a porta atrás de si e disse-lhes: Suplico-vos, meus irmãos, não cometais este crime…” (2). Em seguida, os anjos cegaram todos os sodomitas e depois conduziram Lot e os seus a cidade de Segor para se refugiarem do flagelo que seria antecipado por causa dessa intenção indecente dos seus habitantes.



Depois disso, “o Senhor fez cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo”(3).



Este foi o fim de Sodoma e, contudo, nossa cidade de São Paulo está seguindo seus passos…



Assim como os anjos, os santos são exemplos da prática da pureza, da inocência e da fidelidade a Deus. Em um ato de ignomínia, as imagens dos santos (apresentadas de maneira “homoerótica”) foram usadas para fazer apologia à homossexualidade com os dizeres licenciosos: “Nem Santo Te Protege. Use Preservativo” (Cfr. Estadão, 27/06/2011). Esta atitude – que bem demonstra suas intenções – dos homossexuais na Av. Paulista não se assemelha aos dos sodomitas com os anjos quando estavam na casa de Lot!



Assim como o profeta Simeão profetizou que Jesus Cristo seria “sinal de contradição”, a Igreja Católica e cada um de seus filhos autênticos também o devem ser. Por isso Cristo foi crucificado e a Igreja é perseguida e martirizada nos seus mais de dois mil anos…





Notas:


1. (Gn. 19, 4-6).


2. (Gn. 19,7).


3. (Gn 19, 24).


Márcio Coutinho




Fonte: Instituto Plínio Corrêa de Oliveira

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O último dia de João Paulo II


"Fui chamada no final da manhã. Corri, pois tinha medo de não chegar a tempo. No entanto, ele me esperava. 'Bom dia, Santidade, hoje faz sol', disse-lhe em seguida, porque era a notícia que o alegrava no hospital."



Esta é a lembrança de Ritia Megliorin, ex-enfermeira chefe do serviço de reanimação na Policlínica Gemelli, na manhã de 2 de abril, quando foi chamada ao apartamento pontifício, à cabeceira de João Paulo II, o Papa agonizante.



"Não achei que ele fosse me reconhecer. Ele me olhou. Não com esse olhar inquisitivo que usava para entender imediatamente como estava sua saúde. Era um olhar doce, que me comoveu", acrescenta a mulher.



"Senti a necessidade de apoiar a cabeça em suas mãos; permiti-me o luxo de receber seu último carinho, com suas mãos pousando sobre o meu rosto, enquanto ele olhava fixamente para o quadro do Cristo sofredor que estava pendurado na parede na frente da sua cama."



Enquanto isso, ouvindo da Praça, os cantos, orações, as aclamações dos jovens, que se tornavam cada vez mais fortes, a mulher perguntou ao cardeal Dziwisz se estas vozes não estariam incomodando o Papa. "Mas ele, levando-me até a janela, disse-me: 'Rita, estes são os filhos que vieram se despedir do seu pai'."



Eles se conheceram em janeiro de 2005, quando as condições de saúde de Wojtyla tinham se agravado. Megliorin explica que, naqueles dias de começo de ano, chegando ao hospital para começar o trabalho e sem saber que o Papa tinha sido internado, foi-lhe dito que se apressasse, que fosse até o 10° andar, porque lá estava "um hóspede especial".



"Imaginem - diz a mulher - um lugar onde não existe o espaço e onde não existe o tempo, e imaginem somente muita luz." Foi esta luz que acompanhou os dias do Pontífice.



"Naqueles meses, toda manhã, eu entrava no seu quarto e o encontrava já acordado, porque ele rezava desde as 3h. Eu abria as persianas e, dirigindo-me a ele, dizia: 'Bom dia, Santidade, hoje faz sol'. Aproximava-me e ele me abençoava. Eu me ajoelhava e ele acariciava o meu rosto."



Este era o ritual que dava início aos dias de Wojtyla. "No demais, eu era uma enfermeira inflexível e ele era enfermo inflexível. Queria estar a par de tudo, da doença, da sua gravidade. Quando não entendia, olhava para mim como pedindo que lhe explicasse melhor."



"Ele nunca deixou de estudar os problemas do homem. Lembro-me dos livros de genética, por exemplo, que ele consultava e estudava com atenção, inclusive naquelas condições." Isso refletia o seu não querer se render, esse querer viver a graça da vida recebida: "Cada dia, dizíamos um ao outro que 'todo problema tem solução'".



E o Papa dizia isso também e sobretudo às pessoas com quem se encontrava, por quem sentia um amor de pai. "E como todo pai, sentia uma predileção pelos mais fracos. Por exemplo, na Jornada Mundial da Juventude de Tor Vergata, em Roma, ele cumprimentou os jovens que estavam no fundo, pensando que provavelmente não tinham conseguido vê-lo direito. Também no hospital, ele se dedicava aos mais humildes e não tanto aos grandes professores; perguntava-lhes por suas famílias, se tinham crianças em casa."



Recordando, no entanto, as últimas internações, a enfermeira acrescentou: "O Papa viveu os momentos talvez mais difíceis na Policlínica", mas "assistir os doentes é um dom, pelo menos para quem acredita em Deus. E contudo, também para quem não tem fé, é uma experiência única".



Para quem compreende plenamente o sentido do que Megliorin entende, tornam-se estridentes as perguntas de tantos jornalistas, reunidos na Universidade Pontifícia da Santa Cruz para escutar, em um encontro com a mídia, o testemunho da enfermeira.



Alguns se perguntam se um filme sobre a vida de Wojtyla corresponde à verdade, sobretudo o fragmento no qual o filme conta que o Papa teve espasmos no momento da sua morte. Perguntas extravagantes, às vezes inoportunas, se não fossem de gosto duvidoso. De fato, a enfermeira pergunta quantas pessoas da sala assistiram à perda de um progenitor nos próprios braços: "Não posso responder - explica a contragosto. Quem não viveu isso não pode entender".



Então, "a morte foi um alívio?", insiste outro. "A morte nunca é um alívio - replica a mulher. Como enfermeira, posso dizer somente que existe um limite no tratamento, para além do qual esta se converte em um tratamento médico agressivo." A curiosidade por saber se Wojtyla se engasgava ou não, se tinha força para comer, beber ou respirar, tudo isso é uma violação da intimidade de um corpo, da sacralidade de uma vida. Seu pensamento volta às palavras de Wojtyla que, no entanto, "restituiu a dignidade ao enfermo", recorda Megliorin.


 

Na carta apostólica 'Salvifici doloris', de 1984, João Paulo II escreve que a dor "é um tema universal que acompanha o homem em todos os graus da longitude e latitude geográfica, ou seja, que coexiste com ele no mundo". Também escreve que "o sofrimento parece pertencer à transcendência do homem: é um desses pontos nos quais o homem parece, de certa forma, 'destinado' a superar a si mesmo e chega a isso de maneira misteriosa".



João Paulo II, "no último momento da sua vida terrena - conclui Rita Megliorin -, resgatou a sua cruz, encarregando-se não somente da sua, mas também das de todos os que sofrem. Fez isso com a alegria que nasce da esperança de acreditar em um amanhã melhor. Acho, inclusive, que ele tinha a esperança de um hoje melhor".



Fonte: ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

HOMILIA DA MISSA DE BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II

Segue a homilia que Bento XVI pronunciou durante a cerimônia de beatificação de João Paulo II, na Praça de São Pedro.



Amados irmãos e irmãs,



Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!



Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos conosco através do rádio e da televisão.



Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.



«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.



Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o fato de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Atos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (At 1, 14).



Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-batizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De fato, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1Pd 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.



Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem Gentium sobre a Igreja.



Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).



No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: "A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio"». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e, sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande patrimônio a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado».



E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus – uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.



Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milênio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança».



Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.



Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele, crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério.



E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Eucaristia.



Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Amém.



Fonte: ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)

sábado, 30 de abril de 2011

Calendário da Beatificação

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Calendário da Beatificação
 
Sábado, 30 de abril de 2011
Vigília de preparação à Beatificação de João Paulo II
Circo Máximo, 20h
  • Palavras do Papa Bento XVI em transmissão ao vivo
Domingo, 1° de maio de 2011
Santa Missa de Beatificação de João Paulo II
Praça de São Pedro, 10h
Angelus
  • Palavras do Papa Bento XVI
Segunda-feira 2 de maio de 2011
Santa Missa de agradecimento pela Beatificação
Praça de São Pedro, 10h30
  • Homilia do Cardeal Tarcisio Bertone

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DECLARAR E ACLAMAR UM SANTO

DECLARAR E ACLAMAR UM SANTO




A notícia de que Bento XVI declarará beato seu antecessor João Paulo II merece reflexão. É uma prática do catolicismo e um direito do Papa. A quase totalidade dos católicos lhe dá este direito. Aceitamos sua liderança. Pode ser que, aos olhos de muitos católicos, João Paulo II devesse esperar, mas milhões acham sua vida, seu testemunho e seus sofrimentos suficientes para que o incluam entre os exemplos a serem seguidos. Ele amou e testemunhou Jesus e viveu heroicamente a sua fé. Não há santos perfeitos neste mundo, mas ele e outros candidatos como Irmã Dulce viveram a fé com maior perfeição do que a nossa. Declaremos e proclamemos. Jesus fez e continua fazendo novos santos.



Os católicos privadamente proclamam alguém santo, ou santa quando percebem valores cristãos elevados nesta pessoa. Oficialmente, porém, alguém é declarado santo ou santa quando sua vida foi toda voltada para Deus e para o próximo. Como se trata de assunto estritamente católico, uma vez que outras igrejas também proclamam a santidade ou vida santa de seus fundadores e fiéis mais ilustres, mas os cultuam de outra forma, vale a pena entender o porquê destas beatificações ou canonizações.



No fundo tudo pode ser resumido nas frases: Deus é glorificado nos seus santos. Foi herói ou heroína da caridade. Deu a vida pelos outros e viveu pelo reino de Deus.



Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5, 48)



Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; (I Pd 1, 15)



Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus. (Lev 20, 7)



Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos. (Lev 21, 6)



Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo com todos os seus santos. (I Ts 3, 13)



De certa forma o primeiro santo canonizado foi João Batista a quem Jesus declarou santo. Segundo está nos evangelhos, o próprio Jesus deu o critério para o que a Igreja passou a fazer: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida pelo bem dos outros (Jo 15,13).



Mas nem todos os declarados e aclamados foram imediatamente aceitos pela Igreja. Em alguns casos levou tempo. Houve casos que esperaram 400 anos até serem proclamados e declarados santos, isto é: cristãos sancionados, provados e selados como sinais do Reino. Sanctus, santo, vem de sancire, sancionar. Deus e a Igreja assinariam em baixo desta vida!



Houve casos quase imediatos. Muitos mártires e Francisco de Assis, por exemplo, em menos de um ano foram canonizados. Entraram no cânone dos bem-aventurados que a Igreja aposta que estão salvos e no céu. Ultimamente, José Escrivá, o Fundador da Opus Dei, levou 27 anos. Dom Romero já leva mais de 40 anos em processo e, no entanto, ele morreu pela libertação do seu povo que morria sob uma cruel ditadura.



Tereza de Calcutá levou menos de dez, João XXIII menos de 50, João Paulo II menos de 7, Irmã Dulce menos de 15 anos após a morte. Em alguns casos, a Igreja ouviu a aclamação dos fiéis ou de um grupo de fiéis; em outros, não ouviu e até chegou a tirar da lista de proclamáveis e declaráveis algum candidato sobre quem se lançaram dúvidas pelo que teriam dito e escrito.



É critério da Igreja e não cabe a nenhum grupo querer impor o seu candidato ao reconhecimento de toda a Igreja. E daí? Seu candidato não foi declarado, o que não significa que não tenha levado vida santa. A Igreja não se opõe ao fato de seus fiéis admirarem algum católico que viveu vida heróica. Poderemos pedir a prece de nossos pais e de nossos irmãos de vida santa, desde que não o façamos contra a proposta da Igreja.



Dizer que alguém não será proclamado beato não é o mesmo que dizer que ele não se salvou, que não está no céu ou que sua vida não foi santa. Significa apenas que a Igreja não o proclamará modelo em tudo. Muitos dos santos que admiramos nem sempre escreveram ou disseram coisas hoje aceitas pelos católicos. Estão aí os livros para provar que a Igreja não concorda com eles em tudo. A Igreja mudou muitos conceitos e muitas de suas práticas e hoje, quem dissesse o que eles disseram ou fizesse o que eles fizeram não seria aprovado como modelo de ética cristã. Mas foram vistos como pessoas totalmente dedicadas ao Reino.



Como não há santo sem escorregão e nenhum santo é perfeito e sábio em tudo, a Igreja tem o direito de decidir quem deve ser venerado oficialmente e quem deve esperar. Haverá sempre algum questionamento, mas há que se respeitar a voz do povo e a voz da liderança. Somos produtos de um tempo e os santos viveram outras épocas e outras situações de conflito.



Os irmãos de outras igrejas que cultivem seus heróis do seu jeito. Respeitamos. Mas não nos acusem de adorar os santos! Esta calúnia não admitiremos. Só adoramos a Deus, mas nunca deixaremos de proclamar que ele é bendito pelos santos que nos deu. É bíblico, é teológico e nobre. Gratidão também é sinal de santidade!



Pe. Zezinho, SCJ



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Fonte: Mensagens Cristãs

quarta-feira, 10 de março de 2010

Historiador judeu: Pio XII não foi o "Papa de Hitler"

Historiador judeu: Pio XII não foi o "Papa de Hitler"

ROMA, 08 Mar. 10 (ACI) .- O historiador judeu nascido em Praga, Saul Friedländer, assinala em uma recente entrevista no semanário Le Point que Pio XII não foi o Papa de Hitler. Deste modo recorda a aversão do Papa Pacelli pelo nazismo e sua decisiva colaboração na encíclica Mit brennender Sorge de Pio XI na qual se deplora esta ideologia.
Friedländer ensinou história contemporânea no Instituto universitário de altos estudos internacionais de Genebra. Trabalhou também nas universidades de Los Angeles (EUA) e Tel Aviv (Israel). É autor, entre outros livros de "Hitler e os Estados Unidos", "Pio XII e o Terceiro Reich" e "Reflexões sobre o futuro de Israel".
Em entrevista concedida ao semanário Le Point dada conhecer pelo L'Osservatore Romano, o historiador judeus se refere ao "silêncio de Pio XII afirmando que se a Igreja tivesse elevado sua voz, hoje sua 'grandeza' seria recordada". Hoje se sabe que a verdadeira grandeza deste Papa esteve no seu silêncio que permitiu que ele salvasse mais de 700.000 judeus de perecer sob o regime nazista.O LOR assinala que ante diversas acusações deste tipo, "Friedländer considera que não quer transformar, como outros têm feito, a Pio XII no 'Papa de Hitler'.
Recorda, ao contrário, a aversão do Papa Pacelli pelo nazismo e sua decisiva colaboração na redação da Mit brennender Sorge", a encíclica de Pio XII que condena a ideologia nazista.
Fonte: ACI Digital

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Culto das Relíquias

O CULTO DAS RELÍQUIAS

A relíquia do grande São João Bosco está na Canção Nova no dia de hoje; mas qual é o sentido de venerar uma relíquia?

Santo Agostinho dizia que os corpos dos Santos são instrumentos dos quais se serve o Espírito Santo para realizar suas obras. Por isto os seus restos mortais são honrados desde o início da Igreja. Por exemplo, as Atas do Martírio de S. Policarpo († 156) de Esmirna, dizem que após a morte do mártir, entregue ao fogo, os fiéis foram recolher as suas cinzas.

A veneração é confirmada pela convicção de que os corpos dos Santos foram templos do Espírito Santo e instrumentos por Este utilizados para produzir boas obras. A certeza de que os homens e as mulheres ressuscitarão no fim dos tempos, incutiu nos cristãos, desde os primeiros séculos, o grande apreço aos despojos mortais dos Santos, pela dignidade de terem sidos templos do Espírito Santo durante a vida presente:

“Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum!… Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor 6,15-20).

Se houve no passado, e ainda pode haver enganos e abusos em relação às relíquias, isto não anula a sua legitimidade.

Uma relíquia é um fragmento de osso ou um objeto que tenha alguma relação com um(a) Santo(a), aos quais os católicos prestam veneração ou reverência.

O costume das relíquias dos santos vem desde o início do cristianismo. Primeiramente os mártires foram cultuados; o povo de Deus recolhia seus corpos e os sepultava com reverência. As sepulturas dos mártires eram visitadas por peregrinos; muitos queriam ser sepultados junto a um mártir, pois julgavam que este mais intercederia por eles no Céu.

A Sagrada Escritura oferece fundamento à prática cristã da veneração das relíquias.

No Antigo Testamento, vemos grande respeito notável no sepultamento dos homens de Deus, como Abraão (cf. Gn 25,9s), Jacó (cf. Gn 50, 12s), José (cf. Gn 50, 24-26; Ex. 14, 19), Davi (cf. 1Rs 2,10)… Ora, isto mostra um respeito profundo pelos restos mortais das pessoas. Era considerado grande caridade sepultar os mortos. Tobit os sepultava até correndo risco de morte:

“Quando o rei Senaquerib, fugindo da Judéia ao castigo com que Deus o ferira por suas blasfêmias, mandou assassinar, na sua ira, um grande número de israelitas, Tobit sepultou os seus cadáveres. (Tb 1, 21)”.

“Quando o sol se pôs, ele foi e o sepultou. Seus vizinhos criticavam-no unanimemente. Já uma vez ordenaram que te matassem, precisamente por isso, e mal escapaste dessa sentença de morte, recomeças a enterrar os cadáveres! Mas Tobit temia mais a Deus que ao rei, e continuava a levar para a sua casa os corpos daqueles que eram assassinados, onde os escondia e os sepultava durante a noite. (Tb 2,3-9)”.


A Bíblia mostra também como Deus, mediante o manto de Elias, se dignou realizar um milagre: Eliseu, ferindo as águas do Jordão com essa relíquia do grande profeta, conseguiu separá-las em duas bandas:

“Apanhou o manto que Elias deixara cair, e voltando até o Jordão, parou à beira do rio. Tomou o manto que Elias deixara cair, feriu com ele as águas, dizendo: Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está ele? Tendo ferido as águas, estas separaram-se para um e outro lado, e Eliseu passou.” (2Rs 2,14)

Lemos também que os ossos de Eliseu, postos em contato com um cadáver, tornaram-se instrumentos para a ressurreição do mesmo:

“Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas faziam cada ano incursões na terra. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida, e pôs-se de pé.” ( 2Rs 13,21).

No Novo Testamento há também muitas passagens que dão base sólida à veneração das relíquias. Nos Atos dos Apóstolos São Lucas narra milagres e exorcismos ocorridos com relíquias de São Paulo ainda em vida:

“Deus realizava milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que haviam tocado o seu corpo, eram aplicados aos doentes; então afastavam-se destes as moléstias e eram expulsos os espíritos malignos”. (At 19,11s)

Os fiéis estimavam e guardavam tais objetos com profunda veneração. O Evangelho de São Mateus conta o caso daquela mulher hemorroísa que foi curada tocando o manto de Cristo:

“Eis que uma mulher que, havia doze anos, sofria de um fluxo de sangue, se aproximou dele por trás e Lhe tocou a orla do manto. Dizia consigo: “Se eu tocar ainda que seja apenas as suas vestes, serei curada”. Jesus voltou-se então e, vendo-a, lhe disse: “Tem confiança, minha filha, a tua fé te salvou”. (Mt 9,20ss)

Nas comunidades visitadas ou catequizadas por São Pedro, São Paulo, São João ou fiéis guardavam tudo que lhes pudesse lembrá-los (suas cartas e os seus despojos mortais, os objetos de uso). Os cristãos eram estimulados a este costume ao lerem o elogio do Senhor a Maria de Betânia, quando ela ungiu o Seu corpo pouco antes de sua morte:

“Ela me fez uma obra; …embalsamou antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: onde quer que for pregado no mundo este Evangelho, será narrado o que ela acaba de fazer para se conservar a lembrança dessa mulher” (Mc 14,6-9; Mt 26, 9-12; Jo 12,7).

A Tradição da Igreja, desde os primeiros séculos, conservou e venerou as relíquias como símbolos dos santos mártires e confessores chamados à Casa do Pai. Algumas relíquias que se referem a Cristo são conhecidas e veneradas desde o século IV; outras foram trazidas para o Ocidente pelos Cruzados no século XII (muitas sem documentação sólida). Podemos considerar algumas com um certo fundamento.


A Cruz de Cristo - Segundo São Cirilo de Jerusalém, em 348 havia ali um grande fragmento da Santa Cruz, como atesta ele em suas Catequeses Batismais (4, 10; 10, 19; 13, 4):

“Até a presente data pode ser visto entre nós… mas, em virtude dos extratos que a fé multiplicou, foi distribuído em pequenos fragmentos por toda a terra”.

Pode-se acreditar que Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, no século IV, após pesquisas na Terra Santa, encontrou a Cruz de Cristo e depositou um pedaço relativamente grande da Cruz em seu palácio “Sessorianum”, que veio a ser posteriormente a basílica da Santa Cruz em Roma.


A Escada Santa ou escada do palácio de Pilatos em Jerusalém, segundo a tradição, acha-se perto da basílica de São João do Latrão, em Roma.

O Santo Sudário de Turim, que revestiu o corpo de Cristo é certamente a relíquia mais importante da Paixão do Senhor, e tem sido estudado pelos cientistas. Cada vez mais vai ficando provada a sua autenticidade.


O Presépio de Jesus em Belém era conhecido pelos cristãos do século III, como testemunha Orígenes († 250) (Contra Celsum 1.31). A partir do século VII só existem fragmentos, dos quais os mais notáveis são os da basílica de Santa Maria Maior em Roma.


A Casa Santa da Sagrada Familia, tida como transferida pelos anjos de Nazaré para Loreto (Itália), em 1298, é outra relíquia valiosa que é estudada; pode ser que os cruzados a tenham trazido da Terra Santa em barcos.


O Véu de Verônica é outra relíquia estimada pelo povo cristão, que segundo uma tradição, está no santuário do Santo Rosto de Monoppello, na Itália. O Papa Bento XVI foi o primeiro Papa a visitar este santuário, onde estaria o véu com que uma mulher, Verônica teria enxugado o rosto de Cristo. (Zenit.org, Vaticano, 31 ago 06)


O Sangue de São Januário (S. Gennaro) - que foi bispo e mártir e cuja memória litúrgica é no dia 19 de setembro, é outra relíquia impressionante. Ele derramou o seu sangue por Cristo no início do século IV. Era bispo de Benevento, sofreu o martírio no ano 305 em Nápoles, junto com os seus companheiros, durante a perseguição do imperador romano Diocleciano. Foi condenado às feras do anfiteatro de Pozzuoli, juntamente com os companheiros de fé. Por causa do atraso de um juiz, teria sido decapitado e não dado como alimento às feras.


O grande São Jerônimo concebia a defesa do culto das relíquias. Os autores posteriores, tanto medievais como modernos, só confirmaram e desenvolveram as idéias do S. Doutor. S. Tomás de Aquino (†1274), por exemplo, assim escreveu:


“É evidente que devemos venerar os Santos de Deus como membros de Cristo, filhos e amigos de Deus e intercessores nossos. Por isto havemos de venerar as suas relíquias em memória deles; principalmente há de ser venerados os seus corpos, templos e órgãos do Espírito Santo, que os habitava e por esses corpos agia; aliás, serão configurados ao Corpo de Cristo pela ressurreição gloriosa. Por isto também o próprio Deus honra tais relíquias realizando milagres em presença das mesmas” (Suma Teológica III, qu. 25, art. 6).


Está claro que o culto das relíquias não visa objetos materiais como tais; toda a veneração a estes prestada é relativa; ela se refere, sim, aos santos e, em última análise, ao Senhor Jesus, fonte de toda a santidade.


Fonte: Cléofas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Beatificação de João Paulo II e Pio XII

Que bela notícia nessa semana do Natal!
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VATICANO, 19 Dez. 09 (ACI) .- Em um "magnífico" presente de Natal para milhões de católicos, o Papa Bento XVI assinou e autorizou a promulgação dos decretos que reconhecem as virtudes heróicas dos Servos de Deus João Paulo II e Pio XII, abrindo seu caminho para a beatificação. Para que sejam beatos, só falta o reconhecimento oficial de um milagre obrado pela intercessão de cada um deles.
Na extensa relação de novos beatos e veneráveis publicada esta manhã pelo Escritório de Imprensa da Santa Sé, se especifica que o Santo Padre autorizou a Congregação para as Causas dos Santos, a promulgar, entre outros, os decretos referentes:"Às virtudes heróicas do Servo de Deus Pio XII (Eugenio Pacelli) Supremo Pontífice, nascido em Roma em 2 de março de 1876 e morto em Castelgandolfo em 9 de outubro de 1958".
Do mesmo modo, "às virtudes heróicas do Servo de Deus João Paulo II (Karol Wojtyla) nascido em 18 de maio de 1920 em Wadowice (Polônia) e morto em Roma em abril de 2005". Com a assinatura destes decretos, o que faz falta para a beatificação de ambos os pontífices é o reconhecimento oficial por parte da Congregação para as Causas dos Santos de um milagre obrado por sua intercessão.
Fonte: ACI Digital

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Jornal espanhol recolhe supostos milagres atribuídos a João Paulo II em vida




MADRI, 03 Dez. 09 (ACI) .- O jornal espanhol La Razón recolheu na edição de 2 de dezembro, uma série de curas milagrosas atribuídas à intercessão do Papa João Paulo II quando estava vivo e que por pedido do recordado Pontífice, nunca foram difundidas nem admitidas publicamente.


Há poucos dias, estando de visita na Argentina o ex-secretário de João Paulo II e hoje Arcebispo de Cracovia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, reconheceu ante os jornalistas que durante a vida de João Paulo II houveram fatos inexplicáveis que se mantiveram sob discrição porque ele mesmo o tinha proibido.Segundo La Razón, possivelmente o primeiro milagre do Papa João Paulo II foi o da mãe de família inglesa Kay Kelly ocorrido em março de 1979.



Tinha dedicado muitos anos a juntar dinheiro para os doentes de câncer e ela mesma contraiu a enfermidade.Viajou a Roma com uns bilhetes, presente dos Cavaleiros de Colombo por seu trabalho solidário, aí participou de uma reunião semi-privada com o Papa e outros doentes. "Falaram, ele assinou uma foto para seu filho, abraçou-a e lhe disse: «Estou muito orgulhoso de você, você é uma mãe maravilhosa». Quando voltou para Liverpool, seu câncer tinha desaparecido", recorda La Razón recolhendo testemunhos da causa de beatificação e livros de vaticanistas como "Santo Subito" de Andrea Tornielli ou "Milagres de João Paulo II" do polonês Pawel Zuchniewicz.



Este último recolhe também casos recentes como o um adolescente polonês de nome Rafal, a quem recebeu em 1 de julho de 2004. O jovem, procedente do Lubaczow, padecia de um linfoma incurável que desapareceu justo depois de sua audiência privada com o Pontífice.Além disso, sustenta que "na Jornada Mundial da Juventude de Toronto, em 2002, o Papa rezou por Angela Baronni, de 16 anos, com câncer de ossos; impôs-lhe as mãos e fez nela o sinal da cruz. Desapareceu todo rastro do câncer"."


Em 1980, o australiano Emil Barbar, de 29 anos, com uma paralisia cerebral que o impedia de caminhar e dificultava a fala, chamou a atenção de João Paulo II durante uma audiência com doentes na praça de São Pedro. O Papa o beijou na cabeça. Sua mãe chorava. «Levem-no a Lourdes, e verá que ele caminhará», disse o Pontífice, e deu-lhes de presente uma cruz e um terço. Emil se banhou na piscina do santuário de Lourdes e seis semanas depois caminhava", acrescenta o jornal espanhol.


Do mesmo modo, afirma que "há vários testemunhos de mulheres que dizem que a oração do Papa as ajudou a conceberem ou darem à luz. Uma católica da China radicada em Vancouver, Canadá, a senhora Lieu, acudiu como peregrina a Roma depois de ter sofrido três abortos naturais. Em uma audiência contou ao Papa seu problema. Ele disse que ela teria um filho e fez o sinal da cruz em sua cabeça. Ao voltar para o Canadá, comprovou que estava grávida, o menino nasceu bem e se chamou João Paulo Lieu. Nos testemunhos da causa há outros similares".


O jornal também recolhe o caso do mexicano Heron Badillo, filho do político esquerdista Felipe Badillo. "Tinha cinco anos e estava doente de leucemia quando o apresentaram ao Papa em Zacatecas, no norte do México, em 12 de maio de 1990. Ele se desviou do seu trajeto para impor-lhe as mãos e o beijou. O menino, depois de 15 dias de rejeitar alimentos, começou a comer, e desapareceu sua doença".


La Razón também recorda ao Cardeal italiano Francesco Marchisano, amigo pessoal do Papa. No ano 2000, o Cardeal logo que podia falar por um engano ao ser operado da carótida. "O Papa o acariciou na zona operada. «O Senhor te devolverá a voz. Eu rezarei por ti», disse-lhe. Pouco depois ficou curado".


"Outro caso documentado é o da freira colombiana Ofelia Trespalacios. Sofria desde os 20 anos de uma doença que lhe causava desmaios e paralisia. Em 1984, em uma audiência em Roma, o Papa pôs as mãos sobre a face da religiosa e orou por ela. Abençoou-a e sorriu. A enfermidade da mulher desapareceu por completo", conclui La Razón.
Fonte: ACI