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quinta-feira, 16 de maio de 2013

A importância do Papa



Um dos grandes pilares da Igreja católica, fator importante de sua admirável unidade, é o Papa. O sucessor de Pedro, Pastor desvelado, conduz a grei de Cristo, impedindo que as forças malignas triunfem, não obstante as mais graves e sérias crises através dos tempos.

Numa das encruzilhadas da História, João XXIII convocou oportunamente o Concílio Vaticano II e forneceu à Igreja uma bússola segura numa época de turbulências. Este Concílio foi um testemunho a mais da valia do Papa para que a Instituição estabelecida por Cristo não fosse tragada no torvelinho de erros que marcaram o final do século XX. Rejuvenescida a Igreja penetrou no novo milênio firme nas orientações de Paulo VI e no gloriosíssimo pontificado de João Paulo II.
Em nossos dias Bento XVI, cuja cultura vem deslumbrando o mundo, vai contornando todos os problemas, firme nos princípios eternos que sustentam a vida eclesial. (...)
Pois bem, entre as instruções do atual Papa estão várias sobre Pedro e seus sucessores. Lembra Bento XVI que após Jesus, Pedro é o mais conhecido citado 154 vezes no Novo Testamento. Salienta ainda aquele episódio quando Cristo foi cercado de uma grande multidão que estava na margem do Lago de Genezaré. Ele subiu à barca de Simão para dela poder doutrinar os ouvintes (Lc 5,1-3). Diz Bento XVI: "desse modo, a barca de Pedro converte-se na cátedra de Jesus".
Seguiu-se depois a pesca milagrosa, outro fato também muitíssimo significativo, tanto mais que Pedro ficara tão impressionado que pediu a Cristo: "Afasta-te de mim, Senhor, que sou um homem pecador" (Lc5,8). A resposta de Jesus foi clara: "Não temas. Desde agora serás pescador de homens" (Lc 5,10). Iniciava-se a grande aventura do primeiro papa que, como primeiro papa, viria mais tarde a ser martirizado em Roma.
Recorda ainda Bento XVI o acontecimento de Cesaréia de Felipe, quando à indagação do Mestre sobre que diziam os homens ser ele e Pedro deu a bela resposta: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Cristo então lhe promete o primado: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18). Mais tarde, Jesus, após sua ressurreição, nas margens do Lago de Tiberíades confia a Pedro sua missão sublime, depois de lhe tomar um tríplice ato de amor: "Apascenta meus cordeiros ... apascenta minhas ovelhas" (Jo 21, 15-19). Trata-se da universalidade do rebanho, sem exceção alguma.

Pedro foi, de fato, constituído chefe supremo da Igreja e sua tarefa seria apascentar, ou seja, governar, Ele e seus sucessores seriam, realmente, "fundamento da Igreja de Cristo". Concluindo suas reflexões sobre o papel importantíssimo de Pedro, Bento XVI então suplica a todos os cristãos: "Rezemos para que o Primado de Pedro, confiado a pobres seres humanos, seja sempre exercido neste sentido original desejado pelo Senhor e para que o possam reconhecer cada vez mais em seu significado verdadeiro os irmãos que ainda não estão em comunhão conosco".
Eis aí, aliás, um dever elementar do batizado: rezar sempre pelo papa. Quando Pedro estava preso em Jerusalém a comunidade orou e veio um anjo e o libertou. (Atos 12,5 - 11), Além disto, na medida das possibilidades de cada um, generosa deve ser a contribuição para o Óbolo de São Pedro neste dia do Papa. Colaborar com o Óbolo de São Pedro é participar da caridade do Papa para com os mais pobres da terra. Foi desta ajuda, que Bento XVI fez uma valiosa doação, quando visitou a Fazenda Esperança, em Guaratinguetá, onde se trabalha pela recuperação de drogados, salvando vidas. Tal oferta foi resultado das doações dos católicos.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho - Professor no Seminário de Mariana - MG
Fonte: CatólicaNet

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Indulgências - o que são elas e para que servem?



Em algumas ocasiões, Igreja oferece aos seus filhos a possibilidade de receber indulgência por seus pecados. Trata-se de uma doutrina que causou polêmica na história (deu início à revolta luterana) e é de difícil compreensão teológica. Muitas pessoas têm perguntado sobre o sentido das indulgências e algumas pediram-me que escrevesse sobre o tema. Por isso, decidi tratar do tema.


Um pouco de históriaAs raízes da prática da indulgências estão na Igreja primitiva, mas a prática mesma somente surgiu na França no século X e a doutrina sobre esta prática (a reflexão sobre o sentido da prática) deu-se somente a partir do século XII. É como na vida: primeiro as coisas acontecem, depois é que se reflete sobre o sentido do que aconteceu! Vou apresentar de modo muito resumido a história das indulgências e depois vou demorar-me mais explicando o sentido bíblico e teológico delas.


No início a disciplina penitencial da Igreja era muito rígida: uma pessoa que cometesse pecado grave após o Batismo, depois de confessar seu pecado não recebia logo a absolvição. Primeiro tinha que cumprir a penitência pelo seu pecado – penitência esta que era muito severa. Hoje o padre diz: “reze um salmo”, “faça um ato de caridade a uma pessoa”, “reze um pai-nosso”... Antigamente não era assim. A penitência poderia ser, por exemplo, um ano sem poder negociar, um ou dois anos sem poder assumir cargos públicos, para os casados, um ano sem ter relações sexuais, um longo tempo afastado de atividades comerciais, um ano de jejum, etc. Enquanto cumpria a penitência, o penitente não podia participar da Missa completa: saía após a Oração dos fiéis! Em geral era na Quinta-feira santa pela manhã que o Bispo reunia todos os penitentes que tinham terminado de cumprir a penitência e dava-lhes, finalmente, a absolvição dos pecados. Eles, então, poderiam participar da santa Missa da Vigília pascal e voltar a comungar! (É dessa reunião do Bispo com os penitentes na Quinta-feira pela manhã que surgiu a nossa Missa do Crisma).


No século X, os bispos franceses, pela primeira vez abreviaram ou suprimiram a penitência daqueles penitentes que livremente ajudassem nas obras públicas pelo bem da comunidade: construção ou manutenção de hospitais e leprosários, de santuários, etc. Assim, a Igreja, mediante estas obras que o penitente realizava com espírito de piedade e com espírito de reparação da ofensa a Deus, dispensava-o da penitência devida pelo seu pecado. Era um modo de mostrar benevolência e misericórdia para com o penitente que sofria com o demorado período penitencial que lhe era imposto. Daqui nasceram as indulgências: obras realizadas com espírito de piedade e arrependimento mediante as quais a Igreja suplicava a Deus o perdão para as penas que o pecado trazia para o pecador. Assim, a Igreja, corpo e esposa de Cristo, ministra da reconciliação, derramava sobre seus filhos as riquezas da graça e do perdão do Senhor Jesus morto e ressuscitado!


Infelizmente, houve excessos na baixa Idade Média: muitas vezes as indulgências foram usadas como meio fácil de arrecadar dinheiro: ao invés de obras de misericórdia, a obra pedida para obter-se as indulgências eram fartas esmolas em dinheiro ou terras. É clara a tentação de fazer das indulgências por um lado, um meio fácil de arrecadar dinheiro por parte das autoridades eclesiásticas e por outro lado, um meio fácil para o penitente achar-se livre das conseqüências do pecado sem um real esforço de conversão. Os abusos levavam a pensar que o céu poderia ser comprado. Um pouco como algumas seitas fazem hoje com o dízimo! Então, uma prática que em si mesma tem sentido evangélico, foi usada de modo abusivo... que provocou escândalos e ajudou a causar divisões na Igreja de Cristo. Hoje, graças a Deus, o sentido das indulgências foi retomado e aprofundado. É este sentido que vou apresentar a seguir.


Um pouco de teologia
Antes de tudo é bom deixar claro que as indulgências fazem parte da fé da Igreja. Um católico não pode negar sua validade. O Concílio de Trento ensinou que a doutrina das indulgências é útil e deve ser mantida! A questão é como compreender tal doutrina. Aqui entra o papel do teólogo!
Não encontramos diretamente uma palavra da Sagrada Escritura sobre as indulgências. No entanto, encontramos nela os elementos que fundamentam e justificam a doutrina sobre as mesmas. Vejamos! Para toda a Escritura é muito claro que o pecado deixa marcas em nós: ele nos afasta de Deus, de modo que voltar a ele é um processo mais ou menos longo, dependendo do caso. Mesmo quando a pessoa se arrepende e o pecado é perdoado, ficam conseqüências, seqüelas que não desaparecem de uma vez só. É aí que aparece a necessidade de uma sincera penitência, uma reeducação nos caminhos de Deus, uma clara e humilde aceitação do seu juízo. Vejamos alguns exemplos: “Congregados em nome de Nosso Senhor Jesus vós e meu espírito com autoridade de Nosso Senhor Jesus, entrego esse tal a Satanás para ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Cor 5,4s); “Alguns, que a rejeitaram, naufragaram na fé. É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás para aprenderem a não blasfemar” (1Tm 1,19s); “Por seus julgamentos o Senhor nos corrige para não sermos condenado com o mundo” (1Cor 11,32); “Eis que vou lançá-la na cama e em grande tribulação aqueles que com ela cometem adultério, a não ser que se arrependam de suas obras. Seus filhos, eu os farei morrer, e todas as igrejas conhecerão que sou eu quem sonda os rins e os corações. Retribuirei a cada um de vós segundo as obras” (Ap 2,22s). Portanto, o pecado deixa conseqüências em nós e nos outros que não são suprimidas pelo simples arrependimento: “Para o homem ele disse: ‘Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, cujo fruto te proibi comer, amaldiçoada será a terra por tua causa’” (Gn 1,17ss); “O Senhor disse a Moisés e Aarão: ‘Visto que não acreditastes em mim, santificando-me aos olhos dos israelitas, não introduzireis este povo na terra que lhes vou dar’. O Senhor disse a Moisés: ‘Sobe ao monte Abarim para ver a terra que darei aos israelitas. Depois de vê-la, também irás reunir-te a teu povo, como já aconteceu com teu irmão Aarão’”. (Nm 20,12; 27,13s); “Davi respondeu a Natã: ‘Pequei contra o Senhor’. Natã lhe replicou: ‘O Senhor, de sua parte, perdoou o teu pecado e não deverás morrer. Só que, por teres ultrajado o Senhor com o teu proceder, o filho que te nasceu morrerá’” (2Sm 12,13s).


O que a Escritura quer ensinar com estas passagens bíblicas que citei? Que Deus é carrasco, que gosta de castigar o pecador arrependido? Não! O sentido é outro, bem mais profundo: toda má ação nossa, todo pecado, nos prejudica, nos fecha para Deus e para os outros, nos desfigura e nos deixa mais fracos, dependentes: “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8,34). Pensemos numa pessoa que fuma: fica mais dependente e prejudica os outros com suas baforadas... e mesmo que queira deixar de fumar, sente-se tanto mais fraca para deixar quanto mais arraigado for o seu vício. E aquele que fala mal da vida alheia: quanto mais fala, mais viciado fica. Pois bem, ao confessar sua falta, o pecador é perdoado, mas o vício ficou mais forte, mais entranhado e o prejuízo que causou aos outros, falando deles, não é eliminado e continua fazendo mal! Portanto o pecado que cometemos deixa cicatrizes em nós e nos outros! Então, como corrigir isso? Como livrar-se do vício? Como corrigir o prejuízo, as seqüelas que o vício deixa? Pela oração, a penitência, as obras de caridade e o combate espiritual! A Escritura muitas vezes fala disto e nos exorta a este combate, a este esforço disciplinado e constante para extirpar o mal em nós! Tudo isso vai nos abrindo para Deus e os irmãos, vai nos reeducando, vai nos redirecionando para o bem, vai nos amadurecendo e dando força contra o mal! É muito importante compreender isso: a conversão nunca é repentina; sempre é um processo: mesmo que eu creia no Cristo de repente, tenho, depois, pouco a pouco, que ir corrigindo meus vícios e más tendências! Quantas pessoas realmente convertidas dizem: “Ah, padre, as coisas que fiz no passado ainda hoje me tentam, vêm-me à memória e querem levar-me a pecar novamente!” Temos, portanto, que lutar contra os vícios (= as más tendências) que ficaram em nós porque se a gente não aprender a superar estas imperfeições agora, nesta vida, o Senhor nos purificará delas logo após a nossa morte – é o que chamamos comumente de purgatório! O fato é que nada de impuro pode permanecer diante do Cristo Ressuscitado, o Santo de Deus (cf. Ex 19,10; Is 6,5-7; Ap 21,27). Somos cristãos, queremos seguir o Cristo, caminhamos com ele... mas a poeira do caminho, a infidelidade que nos impediu de ser totalmente abertos para o Cristo, tem que ser deixada para trás... nesta vida ou na outra, quando, logo após a morte, encontrarmo-nos com o Senhor que nos acolhe com seu Espírito de amor. O próprio Lutero, mesmo depois de separar-se da Igreja, continuou afirmando o purgatório. Somente mais tarde é que o negou. Ele distinguia entre ser justificado (quer dizer, ser salvo no momento em que creio em Jesus) e ser santificado (que é um processo pelo qual a minha vida vai de verdade sendo transformada pela graça que vem da fé e pelo combate interior)! Sobre o purgatório, procure ler o que eu escrevi nos artigos sobre escatologia!


Agora, demos um passo mais adiante. A Igreja pode ajudar seus filhos neste processo de conversão constante, de purificação, que é toda a nossa vida: ela, corpo e esposa de Cristo, reza de modo especial, pela expiação (pela purificação) de seus membros, aplicando-lhes solenemente o mérito infinito de Cristo, que é seu tesouro e cabeça de todos os membros do corpo eclesial. A oração da Igreja pedindo que seus membros sejam libertados das conseqüências danosas que o pecado deixa (= estas marcas, estes vícios, que também são chamados pela tradição teológica de “penas”), é o que chamamos de indulgências. E a Igreja tem certeza de ser ouvida na sua oração, primeiro porque ela ora conforme a vontade de Cristo que nos quer dar o perdão e a salvação; segundo porque ora não como na oração privada, mas como oração de toda a Igreja, corpo de Cristo-Cabeça! Dito de outro modo: as indulgências são uma ajuda que a Igreja nos dá no nosso processo de conversão: pela oração eclesial a graça de Cristo atua para nos libertar dos apegos e dependências que o pecado provoca em nós impedindo-nos a uma total abertura para o Cristo. Esta oração, a Igreja faz não somente pelos vivos, mas também pelos defuntos! Aqui é necessário notar bem: não é a Igreja quem salva: é Cristo! A Igreja, como ministra da reconciliação, como aquela que tem por missão fazer presente no mundo a salvação que vem do Senhor Jesus, como aquela que tem em Cristo seu único tesouro, pede pelo mérito do Senhor Jesus e pela intercessão de todos aqueles que já estão unidos a Cristo, nosso único mediador, que conceda aos seus filhos a força para romperem com os vícios, isto é, com as marcas e dependências deixadas pelos pecados. Isto vale também para os mortos quando, logo após a morte, eles são purificados das seqüelas de seus pecados: o que não corrigimos na nossa peregrinação terrestre o Senhor corrigirá no momento mesmo do nosso encontro com ele – e aqui a oração da Igreja conforta imensamente o irmão no momento do encontro com o Senhor que o purificará. A salvação é pessoal, mas não é individualista, isolada: somos salvos como membros de um povo, o povo de Deus, corpo de Cristo. Para os mortos, as indulgências são este apoio, este conforto, esta oração que todo o corpo de Cristo faz pelo irmão no momento do encontro com o Senhor: nem aí estamos sozinhos, mas estamos no corpo de Cristo e com o corpo de Cristo, que é a Igreja! Não esqueça: você poderá compreender melhor a doutrina do purgatório e da oração pelos mortos lendo meu artigo sobre o assunto naqueles textos sobre Escatologia, que escrevi neste mesmo jornal.


Para deixar ainda mais claro este sentido das indulgências, vamos explicar aquela definição que tantas vezes está sendo apresentada neste Ano Santo: “indulgência é a remissão da pena temporal, devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja, que distribui e aplica a todos os fiéis, pela autoridade que Cristo lhe conferiu, o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos”.


Vamos destrinchar, parte por parte, esta definição:


(1) é a remissão da pena temporal: já expliquei que tudo quanto fazemos deixa marcas em nós, constrói para o bem ou para o mal a nossa personalidade, tornam-se em nós um hábito bom (= virtude) ou um hábito mau (= vício). Estas marcas terão que ser purificadas, nesta vida ou na outra; esta necessidade de purificação é o que se chama “pena temporal”. Note que é diferente da pena eterna (o inferno). As marcas que o pecado deixa em mim somente poderão ser corrigidas pelo exercício das boas obras, como a oração, a penitência a esmola... ou seja, por um exercício de correção interior. Pagar a pena quer dizer esforçar-se, exercitar-se para corrigir nossos vícios! A Igreja pode ajudar-nos a corrigir estas marcas da nossa personalidade, pode ajudar-nos a ser abertos a Cristo, pode dar-nos a remissão da pena temporal, quer dizer, ajudar-nos na libertação destes vícios que nos prendem!


(2) devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa: ao receber o perdão no sacramento da penitência, meu pecado é perdoado, minha culpa foi cancelada, mas suas conseqüências em mim permanecem: fiquei mais fraco, mais viciado naquele pecado... só posso corrigir-me pelo combate interior! A indulgência é a ajuda da Igreja neste combate!


(3) que o fiel bem disposto recebe em certas condições determinadas, pela intervenção da Igreja pela autoridade que Cristo lhe conferiu: a Igreja recebeu de Cristo o ministério da reconciliação. Em nome de Cristo, de quem é corpo e esposa, ela pode, sob certas condições, rezar pelos seus filhos, pedindo ao Cristo que não quer a morte do pecador, que liberte o irmão das penas, das conseqüências oriundas de seus pecados. Se a oração do justo alcança o céu, imaginemos a oração de toda a Igreja, unida ao seu Senhor Jesus, de quem é corpo! Observe que para receber as indulgências é preciso estar “bem disposto”! Voltaremos a isto mais adiante.


(4) o tesouro dos méritos do Redentor, da Virgem Maria e dos Santos: aqui é preciso atenção! A Igreja tem poder junto de Deus porque tem um grande tesouro: Cristo! Ele que por nós se encarnou, morreu, ressuscitou e enriqueceu-nos com seu Espírito... ele é o único e absoluto tesouro da Igreja: “Onde está o teu tesouro, aí estará teu coração!” O coração da Igreja está em Cristo! E a Igreja, confiando nele, intercede pelos seus filhos pecadores. Como entender, então, os méritos da Virgem Maria e dos Santos? Já escrevi sobre isso também aqui nO SEMEADOR ao explicar o culto aos Santos. Seus méritos não estão ao lado dos méritos de Cristo nem acrescentam nada aos méritos de Cristo. Seus méritos nada mais são que o fruto da graça e da ação do Cristo na vida deles. Eles foram grandes no serviço a Cristo? “Pela graça de Deus sou o que sou!” Estes irmãos que já estão com Cristo rezam por nós, rezam em Cristo, com quem estão na glória, rezam porque estão cheios da glória de Cristo, da vida de Cristo, dos méritos de Cristo! “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!”


Restam ainda dois pontos a serem explicados: (a) as obras a serem realizadas para que se receba a indulgência e (b) a distinção entre indulgência plenária e parcial.
Quanto ao primeiro ponto, a Igreja determina alguns gestos concretos que indiquem nossa disposição sincera em mudar de vida, em nos abrir para a graça de Deus. As “práticas” requeridas para as indulgências não podem ser tomadas como uma coisa automática, mecânica. Não! Têm que significar um desejo sincero de conversão de vida! Realizando essas práticas eu externo aos outros e exprimo a mim mesmo que desejo de coração, com a ajuda da oração da Igreja, deixar meus vícios e abrir-me generosamente para o Senhor. Para a indulgência deste Jubileu do Milênio a Igreja pede: (i) a confissão sacramental (não comunitária!), (ii) a comunhão eucarística, (iii) um momento de meditação e oração mental (com minhas próprias palavras) concluída por um Pai-nosso, (iv) a recitação do Credo e (v) uma invocação à Virgem. Atenção, atenção! Não são gestos mágicos, práticas automáticas! São apenas gestos, que exprimem uma atitude interior de conversão! Se não exprimirem isso, não valem nada! Não posso jamais afirmar: fiz estas práticas, recebi automaticamente a indulgência! É necessário estar “bem disposto”!


Quanto à questão das indulgências plenárias ou parciais. Primeiramente é bom esclarecer que não faz parte da doutrina infalível da Igreja distinguir entre indulgências plenárias ou parciais! Faz parte da fé normativa da Igreja afirmar a validade das indulgências; a distinção entre parcial e plenária não e obrigatória! Mas, em que se baseia tal distinção? Já deixei claro que nossa atitude interior é o que mais conta para receber a indulgência. Pois bem: se meu arrependimento é perfeito, se meu desejo de mudança de vida é radical, se meu propósito de lutar contra os vícios é decidido, a indulgência é dita plenária. Quer dizer: o Senhor libertar-me-á de todas as seqüelas de meus pecados. Mas, se minha abertura não é completa, então a indulgência é dita parcial: a graça age em mim à medida que eu me abro para ela. Se eu somente me abro parcialmente, ela somente age em mim parcialmente; se me abro totalmente, ela age em mim totalmente! Um modo simples de exprimir isso é o seguinte: quando me confesso para receber a indulgência, se minha contrição, meu arrependimento foi perfeito (quer dizer, um arrependimento total, profundo e sincero, que muda totalmente a minha vida), a indulgência será plenária; se, ao contrário, meu arrependimento foi sincero, mas não perfeito (aí se chama “atrição”), então a indulgência não será nunca plenária! Então, não saberemos nunca nesta vida se a indulgência em mim foi parcial ou plenária! Recordemo-nos que a contrição perfeita é uma grande graça de Deus, que toca e transfigura nossa coração! No Ano Santo a Igreja nos oferece a indulgência plenária; se eu for plenamente aberto, ela será realmente plenária; se eu for só parcialmente aberto, ela será parcial! O Papa Paulo VI afirmava de modo muito sábio: “As indulgências não são um modo fácil para evitar a necessária penitência pelos pecados, mas oferecem sobretudo um conforto, que os fiéis individualmente, conscientes de suas debilidades, encontram no corpo místico de Cristo, o qual coopera na conversão deles com a caridade, com o exemplo e com a oração!”


Como você pode perceber, a doutrina das indulgências não é muito simples. Releia todo o artigo com atenção para compreender bem! Uma coisa é certa: as indulgências são uma bela oportunidade que Cristo nos oferece através da Igreja! Não recebamos em vão a graça de Deus!”


Fonte: Site Padre Henrique


http://www.padrehenrique.com/doutrina_catolica.htm#

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O último dia de João Paulo II


"Fui chamada no final da manhã. Corri, pois tinha medo de não chegar a tempo. No entanto, ele me esperava. 'Bom dia, Santidade, hoje faz sol', disse-lhe em seguida, porque era a notícia que o alegrava no hospital."



Esta é a lembrança de Ritia Megliorin, ex-enfermeira chefe do serviço de reanimação na Policlínica Gemelli, na manhã de 2 de abril, quando foi chamada ao apartamento pontifício, à cabeceira de João Paulo II, o Papa agonizante.



"Não achei que ele fosse me reconhecer. Ele me olhou. Não com esse olhar inquisitivo que usava para entender imediatamente como estava sua saúde. Era um olhar doce, que me comoveu", acrescenta a mulher.



"Senti a necessidade de apoiar a cabeça em suas mãos; permiti-me o luxo de receber seu último carinho, com suas mãos pousando sobre o meu rosto, enquanto ele olhava fixamente para o quadro do Cristo sofredor que estava pendurado na parede na frente da sua cama."



Enquanto isso, ouvindo da Praça, os cantos, orações, as aclamações dos jovens, que se tornavam cada vez mais fortes, a mulher perguntou ao cardeal Dziwisz se estas vozes não estariam incomodando o Papa. "Mas ele, levando-me até a janela, disse-me: 'Rita, estes são os filhos que vieram se despedir do seu pai'."



Eles se conheceram em janeiro de 2005, quando as condições de saúde de Wojtyla tinham se agravado. Megliorin explica que, naqueles dias de começo de ano, chegando ao hospital para começar o trabalho e sem saber que o Papa tinha sido internado, foi-lhe dito que se apressasse, que fosse até o 10° andar, porque lá estava "um hóspede especial".



"Imaginem - diz a mulher - um lugar onde não existe o espaço e onde não existe o tempo, e imaginem somente muita luz." Foi esta luz que acompanhou os dias do Pontífice.



"Naqueles meses, toda manhã, eu entrava no seu quarto e o encontrava já acordado, porque ele rezava desde as 3h. Eu abria as persianas e, dirigindo-me a ele, dizia: 'Bom dia, Santidade, hoje faz sol'. Aproximava-me e ele me abençoava. Eu me ajoelhava e ele acariciava o meu rosto."



Este era o ritual que dava início aos dias de Wojtyla. "No demais, eu era uma enfermeira inflexível e ele era enfermo inflexível. Queria estar a par de tudo, da doença, da sua gravidade. Quando não entendia, olhava para mim como pedindo que lhe explicasse melhor."



"Ele nunca deixou de estudar os problemas do homem. Lembro-me dos livros de genética, por exemplo, que ele consultava e estudava com atenção, inclusive naquelas condições." Isso refletia o seu não querer se render, esse querer viver a graça da vida recebida: "Cada dia, dizíamos um ao outro que 'todo problema tem solução'".



E o Papa dizia isso também e sobretudo às pessoas com quem se encontrava, por quem sentia um amor de pai. "E como todo pai, sentia uma predileção pelos mais fracos. Por exemplo, na Jornada Mundial da Juventude de Tor Vergata, em Roma, ele cumprimentou os jovens que estavam no fundo, pensando que provavelmente não tinham conseguido vê-lo direito. Também no hospital, ele se dedicava aos mais humildes e não tanto aos grandes professores; perguntava-lhes por suas famílias, se tinham crianças em casa."



Recordando, no entanto, as últimas internações, a enfermeira acrescentou: "O Papa viveu os momentos talvez mais difíceis na Policlínica", mas "assistir os doentes é um dom, pelo menos para quem acredita em Deus. E contudo, também para quem não tem fé, é uma experiência única".



Para quem compreende plenamente o sentido do que Megliorin entende, tornam-se estridentes as perguntas de tantos jornalistas, reunidos na Universidade Pontifícia da Santa Cruz para escutar, em um encontro com a mídia, o testemunho da enfermeira.



Alguns se perguntam se um filme sobre a vida de Wojtyla corresponde à verdade, sobretudo o fragmento no qual o filme conta que o Papa teve espasmos no momento da sua morte. Perguntas extravagantes, às vezes inoportunas, se não fossem de gosto duvidoso. De fato, a enfermeira pergunta quantas pessoas da sala assistiram à perda de um progenitor nos próprios braços: "Não posso responder - explica a contragosto. Quem não viveu isso não pode entender".



Então, "a morte foi um alívio?", insiste outro. "A morte nunca é um alívio - replica a mulher. Como enfermeira, posso dizer somente que existe um limite no tratamento, para além do qual esta se converte em um tratamento médico agressivo." A curiosidade por saber se Wojtyla se engasgava ou não, se tinha força para comer, beber ou respirar, tudo isso é uma violação da intimidade de um corpo, da sacralidade de uma vida. Seu pensamento volta às palavras de Wojtyla que, no entanto, "restituiu a dignidade ao enfermo", recorda Megliorin.


 

Na carta apostólica 'Salvifici doloris', de 1984, João Paulo II escreve que a dor "é um tema universal que acompanha o homem em todos os graus da longitude e latitude geográfica, ou seja, que coexiste com ele no mundo". Também escreve que "o sofrimento parece pertencer à transcendência do homem: é um desses pontos nos quais o homem parece, de certa forma, 'destinado' a superar a si mesmo e chega a isso de maneira misteriosa".



João Paulo II, "no último momento da sua vida terrena - conclui Rita Megliorin -, resgatou a sua cruz, encarregando-se não somente da sua, mas também das de todos os que sofrem. Fez isso com a alegria que nasce da esperança de acreditar em um amanhã melhor. Acho, inclusive, que ele tinha a esperança de um hoje melhor".



Fonte: ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

HOMILIA DA MISSA DE BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II

Segue a homilia que Bento XVI pronunciou durante a cerimônia de beatificação de João Paulo II, na Praça de São Pedro.



Amados irmãos e irmãs,



Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!



Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos conosco através do rádio e da televisão.



Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.



«Felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus» (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna «Pedro», rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: «Feliz de ti, Simão» e «felizes os que acreditam sem terem visto». É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.



Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o fato de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Atos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (At 1, 14).



Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-batizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De fato, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1Pd 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. «Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos», os olhos da fé.



Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem Gentium sobre a Igreja.



Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um «M» na parte inferior direita e o lema «Totus tuus», que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: «Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria» (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).



No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: «Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: "A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio"». E acrescenta: «Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e, sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande patrimônio a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado».



E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: «Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!». Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus – uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.



Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu «timoneiro» – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milênio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar «limiar da esperança».



Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de «advento», numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.



Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele, crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério.



E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma «rocha», como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Eucaristia.



Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Amém.



Fonte: ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)

sábado, 30 de abril de 2011

Calendário da Beatificação

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Calendário da Beatificação
 
Sábado, 30 de abril de 2011
Vigília de preparação à Beatificação de João Paulo II
Circo Máximo, 20h
  • Palavras do Papa Bento XVI em transmissão ao vivo
Domingo, 1° de maio de 2011
Santa Missa de Beatificação de João Paulo II
Praça de São Pedro, 10h
Angelus
  • Palavras do Papa Bento XVI
Segunda-feira 2 de maio de 2011
Santa Missa de agradecimento pela Beatificação
Praça de São Pedro, 10h30
  • Homilia do Cardeal Tarcisio Bertone

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Papa Bento responde nossas perguntas

Impossível alguém melhor para responder às dúvidas dos católicos.


PAPA RESPONDE PERGUNTAS EM PROGRAMA DE TELEVISÃO



Quem não gostaria de conversar alguns minutos com o Papa e expressar-lhe as inquietudes do seu coração? Hoje, algumas pessoas – selecionadas entre mais de duas mil – tiveram esta oportunidade e fizeram várias perguntas a Bento XVI.



A emissora de televisão italiana ‘RaiUno’ convidou o Santo Padre para participar de um de seus programas, “A sua immagine” (“À sua imagem”), respondendo a perguntas dos telespectadores. O programa foi ao ar na Sexta-Feira Santa e os principais temas abordados foram o sofrimento, a perseguição dos cristãos, a paz e a paixão, morte e ressurreição de Jesus.



A primeira pergunta foi feita por uma menina japonesa de 7 anos que, diante do terror vivido em seu país devido aos terremotos, disse ao Papa: “Tenho muito medo, porque a casa na qual eu me sentia segura tremeu muito e porque muitas crianças da minha idade morreram. (...) Por que tenho de passar por tanto medo? Por que as crianças têm de sofrer tanta tristeza?”.



Bento XVI reconheceu que “não temos uma resposta, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês, inocentes”, e recomendou: “Neste momento, parece-me importante que saibam que ‘Deus me ama’, ainda que pareça que Ele não me conhece”.



Recordando também a solidariedade e a ajuda oferecida por pessoas do mundo inteiro, o Santo Padre lembrou que “um dia, eu compreenderei que este sofrimento não era uma coisa vazia, não era inútil, mas que, por trás do sofrimento, há um projeto bom, um projeto de amor. Não é por acaso”.



A segunda pergunta foi feita por uma mulher italiana cujo filho está em estado vegetativo há um ano: “Santidade, a alma do meu filho abandonou seu corpo - visto que ele está totalmente inconsciente - ou ainda está nele?”. O Papa respondeu que a alma ainda está presente no corpo e fez uma comparação: “A situação é semelhante à de um violão que tem as cordas quebradas e que não pode ser tocado: assim também o instrumento do corpo é frágil, vulnerável, e a alma não pode tocar, por assim dizer, mas continua presente”.



“Sua presença, queridos pais, é um testemunho de fé em Deus, de fé no homem, de compromisso a favor da vida, de respeito pela vida humana, inclusive nas situações mais trágicas”, recordou.



Um grupo de jovens de Bagdá se dirigiu a Bento XVI para falar sobre a perseguição dos cristãos no Iraque: “De que maneira podemos ajudar nossa comunidade cristã, para que reconsidere o desejo de emigrar a outros países, convencendo-a de que ir embora não é a única solução?”. Renovando seu apoio aos cristãos e muçulmanos do país, o Santo Padre afirmou que o verdadeiro problema é que “a sociedade está profundamente dividida, lacerada” e que é preciso “reconstruir esta consciência de que, na diversidade, todos têm uma história comum, uma comum determinação”.



Também uma mulher muçulmana, da Costa do Marfim, falou da situação política do seu país, que está causando divisão entre cristãos e muçulmanos, e perguntou: “O senhor, como embaixador de Jesus, o que aconselharia ao nosso país?”. O Papa recordou a importância de orar pela população e mencionou ações concretas da Santa Sé: “Pedi ao cardeal Tuckson, que é presidente do nosso Conselho Justiça e Paz, que vá à Costa do Marfim e tente mediar, falar com os diversos grupos, com diferentes pessoas, para facilitar um novo começo”. E lembrou da necessidade de ouvir a voz de Jesus, “em quem vocês também acreditam como profeta. Ele era sempre o homem da paz”.



“O único caminho é a renúncia à violência, recomeçar o diálogo, as tentativas de encontrar juntos a paz, uma nova atenção de uns aos outros, a nova disponibilidade a abrir-se uns aos outros. E esta, querida senhora, é a verdadeira mensagem de Jesus: busquem a paz com os meios da paz e abandonem a violência”, afirmou.



A seguinte pergunta veio da Itália: “O que Jesus fez no lapso de tempo entre a morte e a ressurreição? E, já que no Credo se diz que Jesus, depois da morte, desceu ao inferno, podemos pensar que isso é algo que acontecerá conosco também, depois da morte, antes de ascender ao céu?”.



O Papa Ratzinger explicou que “este descenso da alma de Jesus não deve ser imaginado como uma viagem geográfica, local, de um continente a outro. É uma viagem da alma. É preciso levar em consideração que a alma de Jesus sempre toca o Pai, está sempre em contato com o Pai, mas, ao mesmo tempo, esta alma humana se estende até os últimos confins do ser humano. Neste sentido, desce às profundezas, vai até os perdidos, dirige-se a todos aqueles que não alcançaram a meta das suas vidas”.



“Esta palavra da descida do Senhor aos infernos significa, sobretudo, que Jesus alcança também o passado; que a eficácia da redenção não começa no ano zero ou no ano trinta, mas que chega ao passado, abrange o passado, todas as pessoas de todos os tempos”, acrescentou.



Com relação ao destino da alma humana, afirmou que “nossa vida é diferente: o Senhor já nos redimiu e nos apresentaremos ao Juiz, depois da nossa morte, sob o olhar de Jesus, e este olhar em parte será purificador; acho que todos nós, em maior ou medida, precisaremos ser purificados”.



Outra pergunta, vinda da Itália, também tratou do tema da ressurreição de Jesus: “O fato que de seu corpo ressuscitado não tenha as mesmas características de antes, o que significa? O que significa, exatamente, ‘corpo glorioso’? E a ressurreição, será assim também para nós?”.



“Naturalmente – disse Bento XVI –, não podemos definir o corpo glorioso, porque esta além da nossa experiência. Só podemos interpretar alguns dos sinais que Jesus nos deu para entender, ao menos um pouco, para onde esta realidade aponta.” Entre esses sinais, o Pontífice mencionou o sepulcro vazio, que indica que Jesus não abandonou seu corpo à corrupção: “Jesus assumiu também a matéria, razão pela qual a matéria também está destinada à eternidade”. Acrescentou que Cristo “assumiu esta matéria em uma nova forma de vida: Jesus não morre mais, ou seja, está muito além das leis da biologia, da física, porque os submetidos a elas morrem. (...) É uma vida nova, que já não está sujeita à morte, e essa é a nossa grande promessa”.



O Papa recordou que, na Eucaristia, Cristo nos dá seu corpo glorioso: “Assim, já estamos em contato com esta nova vida, este novo tipo de vida, já que Ele entrou em mim, e eu saí de mim e me estendo até uma nova dimensão da vida. Acho que este aspecto da promessa, da realidade de que Ele se entrega a mim e me faz sair de mim mesmo e me eleva, é a questão mais importante: não se trata de decifrar coisas que não podemos entender, mas de encaminhar-nos rumo à novidade que começa, sempre, de novo, na Eucaristia”.



A última pergunta foi sobre as palavras dirigidas por Jesus a Maria e a João aos pés da cruz: “Eis aqui o teu filho”, “Eis aqui a tua mãe” - que Bento XVI definiu, em seu último livro, como “uma disposição final de Jesus”. “Como devemos entender estas palavras? Que significado tinham naquele momento e que significado têm hoje em dia?”



O Santo Padre respondeu que “estas palavras de Jesus são, antes de mais nada, um ato muito humano. Vemos Jesus como um homem verdadeiro que leva a cabo um gesto de verdadeiro homem: um ato de amor por sua mãe, confiando-a ao jovem João, para que estivesse segura”. Por outro lado, explica que, “certamente, este gesto tem várias dimensões, não diz respeito apenas a esse momento: concerne a toda a história. Em João, Jesus confia todos nós, toda a Igreja, todos os futuros discípulos, à sua Mãe, e sua Mãe a nós”.



Além disso, acrescentou, “a Mãe é também expressão da Igreja. Não podemos ser cristãos sozinhos, com um cristianismo construído segundo as minhas ideias. A Mãe é imagem da Igreja, da Mãe Igreja e, confiando-nos a Maria, também temos de confiar-nos à Igreja, viver a Igreja, ser Igreja com Maria”.



O programa “A sua imagem” durou cerca de uma hora e meia e Bento XVI acompanhou sua emissão da sua biblioteca, no Palácio Apostólico vaticano.



Aline Banchieri



Fonte: ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Manifestação Anti-Católica


ROMA, 12 Abr. 10 (ACI) .- Ed Kock é um judeu que foi prefeito de Nova Iorque, Estados Unidos, entre 1978 e 1989. Ele escreveu um artigo no jornal israelense Jerusalem Post no qual assinala: "acredito que os contínuos ataques dos meios à Igreja Católica e a Bento XVI se converteram em manifestações de anti-catolicismo e que a cadeia de artigos sobre os mesmos eventos não têm já a intenção de informar mas sim de 'castigar'".
Em seu artigo sobre a campanha difamatória empreendida por diversos meios para apresentar o Santo Padre como "encobridor" de abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero, Koch comenta que este tipo de crimes são uma coisa "horrenda" e sublinha como o Papa Bento XVI "em várias ocasiões, em nome da Igreja, admitiu as culpas e pediu perdão".
Para o ex-prefeito de Nova Iorque "muitos dos que nos meios atacam a Igreja e o Papa hoje o fazem evidentemente com prazer, e em qualquer caso com malícia".
Isto acontece, em opinião de Ed Kock, porque "existem muitos nos meios, inclusive entre os católicos assim como entre outras pessoas, que objetam ou se irritam pela posição da Igreja que é contrária a todo aborto e ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, favorece a manutenção da regra do celibato para os sacerdotes assim como a exclusão das mulheres no sacerdócio. É contrária às medidas de controle da natalidade, ao uso libertino dos preservativo e fármacos (anticoncepcionais), assim como contrária ao divórcio civil".
Embora ele mesmo poderia não estar de acordo com estas posições, explica Koch, considera que a Igreja Católica tem "o direito de exigir a seus próprios fiéis o cumprimento de todas as suas obrigações religiosas e o direito de sustentar-se no que (Ela) crê".
Para o ex-prefeito a Igreja Católica é "uma força positiva no mundo" e que a importância de milhões de católicos é importante para a paz e a prosperidade.
Finalmente Ed Kock reitera que "os atos cometidos por membros do clero católico são atos terríveis" e adverte citando o Evangelho de São João: "quem de vós esteja livre de pecado, que atire a primeira pedra".

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Oração pelo Papa

Boa tarde!

Relembro aqui a campanha iniciada: Rezemos pelo Papa. Como continuamos no Ano Sacerdotal, continuo o apelo: Rezemos pelos nossos Sacerdotes.

Amigos, tudo pode ser mudado pela oração, e sabemos que somos muitos os católicos pelo mundo, se cada um fizer a sua parte, oferecer suas orações, missas e sacrifícios pelo Santo Padre, pela Igreja e pelos Sacerdotes, tudo pode mudar!!
Só depende de cada um! Eu estou fazendo a minha parte, e você?
Partilho com vocês uma bela oração pelo Santo Padre que veio do Movimento Salvai Almas. Convido-os a rezar diariamente essa oração por nosso Pastor!


Abraços fraternos

João Batista

ORAÇÃO DIÁRIA PELO PAPA BENTO XVI

Pai Santo, Vós que sois o Senhor de todas as gentes e de todo o Universo, olhai para o nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI, escolhido por vós como Timoneiro desta Santa Igreja, que tanto sofre por causa dos constantes ataques do inimigo, para que ele consiga prosseguir na elaboração de Vossos planos e ser sempre o guardião fiel de vossos segredos, a fim de que nossa Santa Igreja seja sempre protegida e salva das mãos inimigas!

Pai Santo, derramai luzes sobre a Santa Igreja, Fortaleza e Discernimento sobre o Santo Padre! Cuidai dele e protegei-nos sempre, para que também possamos ser igreja fiel, e seguidora das orientações deste nosso Pastor.

Obrigado, Pai, por nos amardes tanto! Amém!

Fonte: Movimento Salvai Almas

terça-feira, 4 de maio de 2010

Papa quer diálogo com os pensadores ateus

Arcebispo Ravasi: Papa quer diálogo com os pensadores ateus

Afirma que a Santa Sé está tratando “com muito rigor” os casos de pedofilia
VALÊNCIA, terça-feira, 13 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI está impulsionando o diálogo entre a fé e a razão, e nele se incluem pensadores e artistas ateus. Foi o que afirmou hoje o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi, em uma coletiva de imprensa em Valência (Espanha), segundo informa a agência diocesana Avan.

Dom Ravasi, que se encontra na cidade espanhola para a inauguração da cátedra Fides et Ratio da Universidade Católica de Valência (UCV), explicou que seu dicastério vaticano está conduzindo muitas iniciativas no âmbito do diálogo com o mundo da cultura.

Ele explicou que durante a visita a Portugal, em maio, o Papa manterá um encontro com artistas portugueses, entre eles o cineasta Manuel Oliveira.

Também se está preparando, para este ano, uma série de encontros em Paris, na sede da UNESCO, na universidade de Sorbona e na Academia Francesa, através do Pátio dos Gentis, instituição criada por seu próprio dicastério para impulsionar o diálogo com o âmbito do ateísmo.
Dom Ravasi afirmou que o cristianismo “tem sempre uma função dentro da cultura”, ainda que em algumas de suas expressões esta “possa ser completamente secular ou laica”.

A religião “favorece as respostas fundamentais que todo homem se faz acerca da vida, morte, dor, justiça e da verdade”.

Pedofilia

Perguntado por jornalistas locais sobre os casos de abusos a menores da parte de clérigos, Dom Ravasi reconheceu que se trata de questões greves e afirmou que a Santa Sé está tratando o tema “com muito rigor”.

Após explicar as medidas adotadas nestes casos, o prelado também lamentou algumas das reações públicas reproduzidas por meios de comunicação contra o Papa, que em sua opinião são “excessivas e quase agressivas”.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Livro conta as memórias de um exorcista

Livro conta as memórias de um exorcista

Entrevista com o autor, o jornalista e escritor Marco Tosatti
Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 12 de abril de 2010 (ZENIT.org). – Padre Gabriele Amorth é sacerdote paulino. Antes de se tornar sacerdote, esteve na guerra, foi partidário e graduou-se em direito. Teólogo mariano, foi por muitos anos diretor da prestigiada publicação paulina Madre di Dio, até ser apontado pelo cardeal Ugo Poleti ao cargo oficial de exorcista.

Em mais de 25 anos de atividade, Amorth já realizou mais de 70 mil exorcismos, sendo considerado o exorcista mais experiente do mundo.

Marco Tosatti, vaticanista do jornal La Stampa, autor de diversos livros, entrevistou padre Amorth, publicando em seguida o livro Memorie di un esorcista (“Memórias de um exorcista”, Edizioni Piemme).

O livro é algo como um testamento espiritual, no qual Amorth narra seus embates contra o maligno: um série impressionante de histórias que testemunham a presença, mas também a libertação do mal.

ZENIT entrevistou Marco Tosatti.

- Quem é o exorcista e quem é particularmente padre Amorth?
- Tossati: Um exorcista é um sacerdote que recebeu de seu bispo – o único autorizado a realizar este tipo de intervenção – a autorização para libertar do mal pessoas afetadas por fenômenos demoníacos, como a infestação, a vexação e a possessão. Padre Gabriele é presidente honorário da associação de exorcistas, por ele fundada há vários anos, e é provavelmente o exorcista mais famoso do mundo. Completará 85 anos neste mês de abril e continua empenhado em sua batalha...

- Existe de fato o demônio?
- Tosatti: Quem é cristão não pode se privar de acreditar na existência de um espírito, que rejeitou a Deus e age de maneira ordinária e extraordinária – algo raríssimo – no mundo.

- Quem é, o que faz, como se manifesta e de que modo os exorcistas neutralizam sua influência sobre as pessoas?
- Tosatti: É um anjo caído, que lidera outros seres semelhantes a ele. Em sua ação ordinária, busca arrastar as pessoas para o pecado, a fim de conquistar suas almas. Sua ação extraordinária é certamente mais misteriosa. Com a permissão de Deus, realiza ações sobre as pessoas, podendo alcançar, em alguns casos, a possessão (que não pode, porém, tocar a alma). Os exorcistas, com as orações do ritual e pelo uso dos sacramentais, buscam libertar as vítimas de tais ações negativas.

- Por que a Igreja instituiu a figura do exorcista?
- Tosatti:
Jesus Cristo conferiu aos seus discípulos o mandato de pregar o evangelho, curar os doentes e expulsar os demônios. Por vários séculos, não houve na cristandade a figura do exorcista: qualquer cristão poderia se fazer soldado nesta batalha. E ainda hoje simples cristãos podem proferir orações de libertação. Alguns santos, como por exemplo o padre Pio, libertavam vítimas da influência demoníaca sem serem exorcistas. Cumpre salientar que nos últimos anos, em resposta a uma demanda crescente, os bispos se veem cada vez mais obrigados a nomear sacerdotes para atuarem neste tipo de trabalho pastoral.

- Quanto há de sugestão e quanto há de verdadeiro nas pessoas que acreditam estar possuídas pelo demônio?
- Tosatti:
Pelo que pude verificar em minhas pesquisas, os casos reais de possessão, vexação ou infestação são muito, muito raros. Padre Gabriel, e acredito que seus colegas também devam agir desse modo, não recebe nenhum caso que não tenha sido previamente avaliado pela medicina oficial. E, apesar dessa precaução, vê que em muitos casos não se evidencia uma origem maléfica dos distúrbios. Mas, ainda que raros, os casos de influência demoníaca autêntica existem, e são impressionantes.

- De que maneira as pessoas podem evitar as tentações do pecado e do mal?
- Tosatti:
Evitar as investidas das tentações, creio que seja impossível; mas uma vida límpida e cristã pode nos ajudar a não ceder a estas tentações.

- O demônio sempre ameaçou a Igreja. Papa Paulo VI disse certa vez: “a fumaça de Satanás adentrou na Igreja”. João Paulo II e Bento XVI denunciaram em diversas ocasiões a presença da cauda do diabo em muitas ocasiões na qual a cátedra de Pedro foi prejudicada. No presente momento, assistimos a um ataque sem precedentes ao atual Pontífice. O que pensa a respeito?
- Tosatti:
Bento XVI, como João Paulo II antes dele, indicou nos temas morais como a defesa da vida e da família a batalha central da Igreja em nossos tempos. É uma batalha contra a cultura predominante no mundo ocidental, em especial no âmbito da mídia.
É evidente a tentativa de desacreditar a Igreja e o Papa, justamente para enfraquecer o impacto de seu ensinamento. Também de modo instrumentalizado e incorreto, esperando pelos efeitos negativos na opinião pública, que frequentemente não dispõe de instrumentos ou de tempo para analisar de forma ponderada as acusações. Isso se torna ainda mais extraordinário quando constatamos que, se há alguém hoje que busque limpar a Igreja e que sempre buscou, este alguém é Joseph Ratzinger. Parece-me assim que nossa categoria não está vivendo um de seus momentos mais felizes.
Fonte: Zenit.com

Santa Sé publica guia de procedimentos sobre casos de abusos


Para explicar como a Congregação para a Doutrina da Fé age nestes casos

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de abril de 2010 (ZENIT.org).- A partir de hoje, o site da Santa Sé oferece uma guia para compreender os procedimentos básicos da Congregação para a Doutrina da Fé frente a casos de denúncias por abusos sexuais. Assim afirmou a Rádio Vaticano, explicando que esta iniciativa "não é um novo documento, mas um resumo dos procedimentos operativos já definidos, que pode ser de ajuda para leigos e não-canonistas" na hora de compreender a atuação da Congregação.

Os procedimentos se remetem, segundo a emissora pontifícia, ao "Motu Proprio Sacramentorum sanctitatis tutela, de 30 de abril de 2001, junto com o Código de Direito Canônico de 1983".

Este procedimento, que está em vigor desde 2001, começa quando uma "diocese indaga sobre qualquer suspeita de abusos sexuais perpetrados por um religioso contra um menor. Se a suspeita for verossímil, o caso deve ser levado à Congregação para a Doutrina da Fé".

"O bispo local transmite todas as informações necessárias à Congregação para a Doutrina da Fé e expressa sua opinião sobre medidas e procedimentos que devem ser adotados. A lei civil referente à denúncia dos crimes às autoridades apropriadas deve ser sempre aplicada."

Da fase preliminar até a conclusão do caso, o bispo pode tomar medidas preventivas. "É conferido ao bispo local o poder de tutelar as crianças, limitando as atividades de qualquer sacerdote em sua diocese", seja antes, durante ou depois do procedimento.

Com relação ao procedimento, a Congregação estuda o caso e pede, se necessário, informações complementares.

A Congregação "pode autorizar o bispo local a instruir um processo penal judicial diante de um tribunal eclesiástico local". Também pode autorizá-lo a instruir um processo penal administrativo. Para apelar às sentenças emitidas por um tribunal eclesiástico, o sacerdote deve fazê-lo por meio da Congregação, cuja sentença será inapelável.

Ambos os procedimentos - judicial e administrativo penal - podem comportar certo número de penas canônicas, incluindo a demissão do estado clerical.

"Nos casos particularmente graves, em que um religioso durante um processo é declarado culpado de abusos sexuais contra menores ou que as provas sejam evidentes, a Congregação para a Doutrina da Fé pode decidir levar tal caso diretamente ao Santo Padre, a fim de que o Papa emita um decreto de demissão do estado clerical ‘ex officio'. Não existe recurso canônico contra o decreto papal."

Também apresentam ao Papa os casos de sacerdotes que, conscientes dos crimes cometidos, pedem a demissão.

"Nos casos em que o sacerdote acusado tenha admitido seus crimes e se proposto a viver uma vida de oração e penitência, a Congregação para a Doutrina da Fé autoriza o bispo local a emitir um decreto que proíbe ou limite o ministério público de tal sacerdote. No caso de violação das condições do decreto, não está excluída a destituição do estado clerical", informa a Rádio Vaticano.
Fonte: Zenit.com