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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Finados

Para nós, o que é a morte?

Cardeal Geraldo Majella Agnelo



Foi feita uma pesquisa na França: “Para Você, o que é morte?” Oito pessoas sobre cem declararam-se sem opinião. Trinta e sete por cento disseram que a morte é o fim de tudo, que depois dela não existe nada. Outros trinta e três por cento falaram de uma passagem para qualquer coisa, mas não sabem dizer do que se trata; lá chegando, se verá. Somente vinte e dois por cento, isto é um em cada cinco, soube dar uma resposta cristã: a morte é a entrada na vida eterna.


Nós vamos à Igreja por muitos motivos: um pouco para rezar, um pouco para compreender o que diz a Palavra de Deus sobre este dia de finados. Esperamos ver uma clara luz sobre o mistério da morte e o depois.

Do Antigo Testamento, Jó 19,27: “Verei a Deus. Eu o verei, eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão”. Um sábio de Israel assim descreveu o destino reservado aos justos: “as almas dos justos estão nas mãos de Deus, nenhum tormento os tocará. Aos olhos dos estultos, seu fim foi visto como um desastre, a sua partida uma ruína, mas eles estão em paz”. Isso acontece porque “Deus os provou, e os encontrou dignos de si”.


O Novo Testamento traz luz de pleno conforto para nós. Jesus nos revelou “a vontade do Pai”, isto é “quem vê o Filho e nele crê, tem a vida eterna”. E mais: “Eu o ressuscitarei no último dia” (João 6,40). “Na casa do meu Pai há muitos lugares. Eu vou preparar-vos um lugar. Voltarei e vos tomarei comigo. Assim também vós estareis onde eu estou” (João 14,2-3).


O Apóstolo Paulo é muito claro: “Somos filhos de Deus. E se somos filhos, somos também herdeiros; herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo”. Daí um motivo de conforto para o hoje: “Os sofrimentos do momento presente não são comparáveis às glórias eternas” (Romanos 8,16-18). Jesus também mostrou quem são os filhos de Deus destinados ao Reino. São os homens das bem-aventuranças (Mateus 5,1-11).


Não todo aquele que diz Senhor, Senhor! entrará no reino dos Céus, e Jesus precisa bem: mas “bem-aventurados os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os operadores de paz, os perseguidos por causa da justiça”. Por que bem aventurados? “Porque deles é o reino dos céus”.


Jesus deixou claro que são filhos de Deus os operadores de obras de misericórdia. Assim o disse com a parábola do juízo universal. O Senhor dirá a quem cumpriu as obras de misericórdia: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o reino preparado para vós desde o começo do mundo”. Por que benditos? “Porque eu tive fome e sede, era forasteiro, nú, doente, encarcerado... e me visitastes” (Mateus 25,31-46).


Para o cristão a morte permanece um mistério, mas plenamente iluminado pela fé. Conhecemos o fato: também Jesus Cristo morreu, Deus Pai o tirou da morte, e nós sabemos, porque Jesus disse, que tirará também a nós da morte. É esta a novidade do discurso cristão sobre a morte: uma novidade inaugurada pela ressurreição de Jesus. Às vezes sentimos nossos defuntos tão longe espiritualmente de nós, mas também a fé nos faz senti-los vizinhos. “Não existe um reino dos vivos e um reino dos mortos, existe o Reino de Deus; e nós, vivos ou mortos, estamos todos dentro dele (Georges Bernanós).


E nós se fossemos entrevistados com a pergunta: “O que é para Você a morte”? Eis como responderam alguns cristãos autênticos: O Papa João XXIII: “A morte é a passagem do andar de baixo para o de cima”. O dominicano Sertillanges: “No fundo, ninguém morre, porque não se sai de Deus”. O compositor Charles Gounod: “Morrer é sair da existência para entrar na vida”.


O teólogo Karl Rahner: “A morte é uma queda, que a fé interpreta como queda nos braços de Deus vivente, nosso Pai”. Santa Teresa de Lisieu: “Eu não morro, entro na vida. Não é a morte que virá buscar-me, é o bom Deus”. Concluímos: a separação de nossos caros provoca em nós tristeza austera, mas nos deixa uma esperança confiante.


Os túmulos dos nossos caros são monumentos colocados nos limites de dois mundos. O pensamento dos mortos nos estimula a rezar por eles e a refletir sobre a vida, sobre o sentido de nossa história e nossa orientação para Deus. Nossos defuntos nos querem corajosos nas provas, fortes na dor, serenos e plenos de esperança


Fonte: CNBB